Contra a política "covid zero"

Jornalista da BBC espancado pela polícia durante a cobertura dos protestos na China

Jornalista da BBC espancado pela polícia durante a cobertura dos protestos na China

O jornalista da BBC Ed Lawrence foi esbofeteado, pontapeado, detido e depois libertado pelas autoridades chinesas, durante a cobertura dos protestos contra a política restritiva "covid zero", em Xangai, na China.

A notícia foi avançada pela emissora pública britânica que se mostrou "extremamente preocupada" com a detenção do jornalista.

"Ed Lawrence foi esbofeteado e pontapeado durante a sua detenção", afirmou a BBC. "Depois foi algemado e detido durante várias horas antes de ser libertado", acrescentou. O jornalista estava a cobrir os protestos contra prolongamento das restrições de combate à pandemia, que o regime chinês adotou desde 2020.

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Segundo o canal britânico, as autoridades chinesas não deram qualquer explicação credível para a detenção do jornalista, nem pediram desculpa pelo tratamento que recebeu.

Edward Lawrence, que trabalha na delegação da BBC em Pequim, viajou para Xangai para cobrir os protestos dos últimos dias.

Pequim, Xangai e Wuhan são algumas das cidades chinesas onde milhares de pessoas se estão a juntar nas ruas e universidades para contestar a política "zero covid". A estratégia inclui o isolamento de todos os casos positivos e contactos próximos, o bloqueio de bairros ou cidades inteiras e a realização constante de testes em massa.

Um incêndio, que matou pelo menos 10 pessoas num prédio residencial em Urumqi, na região de Xinjiang, na quinta-feira à noite, serviu de gatilho para os protestos, nos quais os manifestantes exigem a saída de Xi Jinping da presidência do país.

A capital chinesa, que tem estado especialmente protegida contra surtos desde 2020, está agora a experimentar os níveis mais elevados de contágio: de acordo com o último relatório oficial, mais de 4.300 novos casos foram detetados no sábado, 82% dos quais assintomáticos.

Estes números, baixos pelos padrões internacionais, mas intoleráveis para as autoridades chinesas, resultaram em restrições e confinamentos que afetam uma grande parte da população da capital.

De acordo com dados da Comissão Nacional de Saúde, a China bateu no sábado o número recorde de infeções, detetando quase 40 mil novos casos, embora mais de 90% se tratem de casos assintomáticos.

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