Reino Unido

Cientistas alertam que levantar restrições é como "construir fábricas de variantes"

Cientistas alertam que levantar restrições é como "construir fábricas de variantes"

Cientistas britânicos alertam que o levantamento de todas as restrições relacionadas com a pandemia de covid-19 pode comparar-se à construção de "fábricas de variantes" num ritmo muito rápido.

No "Mail on Sunday", o novo ministro da Saúde do Reino Unido, Sajid Javid, escreveu que a melhor forma de proteger a saúde do país passa por suspender as principais restrições contra a covid-19. "As regras que tivemos de implementar causaram um aumento chocante na violência doméstica e um impacto terrível na saúde mental de muitas pessoas".

Na segunda-feira, o Governo deve aprovar a flexibilização de várias restrições, incluindo permitir que adultos totalmente vacinados viajem para países da "lista amarela" sem ter de se isolar quando regressarem; tornar o uso de máscaras voluntário, exceto em hospitais; e não exigir que adultos totalmente vacinados façam um teste ou se isolem se tiverem entrado em contacto com uma pessoa infetada.

"Precisamos de deixar claro que os casos vão aumentar significativamente. Sei que muitas pessoas serão cautelosas quanto à flexibilização das restrições - isso é completamente compreensível. Mas nenhuma data que escolhermos virá sem riscos, por isso temos que ter uma visão ampla e equilibrada. Teremos de aprender a aceitar a existência da covid e encontrar forma de lidar com ela - assim como já fazemos com a gripe", continuou Javid.

As declarações de Javid estão agora a ser criticadas por vários cientistas britânicos.

"É assustador ter um ministro da 'Saúde' que ainda pensa que a covid é uma gripe. Que não está preocupado com os níveis de infeção. Que não percebe que aqueles que fazem o melhor pela saúde, também o fazem pela economia. Que quer abandonar todas as proteções enquanto apenas metade de nós está vacinada", escreveu Stephen Reicher, da University of St Andrews, no Twitter.

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Susan Michie, diretora do Centro de Mudança de Comportamento da University College London, publicou: "Permitir que a transmissão da comunidade aumente é como construir novas fábricas de variantes num ritmo muito rápido."

Por sua vez, outros cientistas consideram que o relaxamento de muitas das restrições, embora não isento de riscos, faz sentido.

"Pessoas duplamente vacinadas têm menos probabilidade de apanhar uma infeção e, mesmo se infetadas, têm menos probabilidade de infetar outras", disse Paul Hunter, professor de medicina da University of East Anglia, citado pelo "The Guardian".

Além disso, continuou Hunter, o risco adicional representado pelo relaxamento do uso de máscaras provavelmente não seria grande - embora fizesse sentido que grupos vulneráveis ​​as usassem em ambientes com muita gente, bem como aqueles que visitem indivíduos muito vulneráveis ​​em ambientes fechados.

Também Allyson Pollock, professora clínica de saúde pública na Universidade de Newcastle, considera a abordagem de Javid "sensata". "A imunidade da população está a ser alcançada rapidamente devido a uma combinação de imunidade adquirida naturalmente através de infeção e vacinação. Desconhecidos são a duração da imunidade, o impacto das variantes e quem está em risco individual de reinfecção ou transmissão", disse.

"Boas medidas de controlo de infeções e surtos são importantes a nível local. Porém, a testagem em massa e os testes diários devem ser interrompidos, pois o teste de pessoas assintomáticas está a causar danos desnecessários, sem nenhuma evidência de que contribui para a redução da transmissão".

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