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Menos humanos, mais robôs: está a nascer uma sociedade sem contacto na Coreia do Sul

Menos humanos, mais robôs: está a nascer uma sociedade sem contacto na Coreia do Sul

Robôs e um metaverso - uma espécie de universo virtual - podem parecer algo demasiado futurista para ser estabelecido numa sociedade da atualidade. Mas não para a Coreia do Sul, que já está a reduzir ao máximo a interação humana nos vários setores do país.

O Governo da Coreia do Sul introduziu, em 2020, uma nova política chamada "Untact", que visa remover a interação humana para estimular o crescimento económico. Segundo o jornal britânico "The Guardian", o objetivo passa por criar serviços "contactless" (designação em inglês para a expressão "sem contacto") para aumentar a produtividade e reduzir a burocracia. A medida ganhou velocidade durante a pandemia e está a expandir-se rapidamente em todos os setores.

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No dia-a-dia, pequenas mudanças estão a tornar-se cada vez mais percetíveis. Nos cafés, robôs que substituíram os funcionários humanos preparam café e levam as bebidas às mesas. Há cada vez mais lojas híbridas. A LG Uplus, por exemplo, abriu recentemente várias lojas onde os clientes podem comparar telemóveis e assinar contratos sem nunca terem de lidar com uma pessoa real.

Numa altura de pandemia, vários governos locais lançaram robôs com inteligência artificial para monitorizar a saúde dos habitantes que se auto-isolam. Para pacientes com covid-19 que recebem tratamento em casa, uma aplicação governamental também dá acesso a videochamadas com um médico.

Num hospital, uma máquina com internet 5G pulveriza desinfetante nas mãos dos utentes, verifica a temperatura corporal, controla o distanciamento social e até repreende as pessoas por não usarem máscara.

Transformar Seul num metaverso

Num processo de digitalização ainda mais expressivo, a cidade de Seul planeia construir um "metaverso" - um espaço virtual onde os sul-coreanos podem interagir com representações digitais de pessoas e objetos. Em vez de serem pessoas reais a receberem e tratarem de reclamações, esse papel caberá a avatares de funcionários públicos. A plataforma deverá estar completamente pronta no final de 2022.

Segundo os planos, os residentes do "Metaverso Seul" poderão fazer reservas, andar em autocarros turísticos, visitar recriações de locais históricos destruídos e registar queixas administrativas. Seul quer incluir no metaverso todas as áreas da administração municipal e aumentar a eficiência dos funcionários públicos, superando as limitações físicas e as barreiras linguísticas.

O turismo de Seul também passará por uma grande reformulação com a introdução de uma "Zona Turística Virtual". A partir de 2023, os turistas poderão visitar os principais festivais de Seul e atrações turísticas como o Gwanghwamun Plaza, o Palácio Deoksugung e o Mercado Namdaemun - tudo num espaço virtual.

O K-pop também entrou no metaverso. Nesse "mundo", os fãs podem criar avatares, "encontrar-se" com os seus ídolos e receber autógrafos virtuais.

Mas a Coreia do Sul não quer parar por aí: o Governo passou as últimas duas décadas a criar Songdo, uma cidade inteligente, em que os edifícios e as ruas têm sensores e computadores incorporados. O país está também a desenvolver uma nova moeda, a moeda S, que deverá ser usada como método de pagamento para programas sociais financiados pela cidade de Seul para funcionários públicos, candidatos a empregos e cidadãos que queiram economizar eletricidade, água e gás.

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