Mike Lindell instado a pagar cinco milhões de euros em litígio sobre dados eleitorais nos EUA

O executivo chefe da MyPillow, Mike Lindell
Getty Images via AFP
O executivo chefe da MyPillow, Mike Lindell, foi instado a pagar cinco milhões de dólares a um engenheiro num litígio sobre dados eleitorais que alegadamente provam que a China interferiu nas eleições de 2020 nos EUA.
Segundo adianta hoje a agência AP, tratou-se de uma decisão arbitral de conflitos sobre um caso relativo a quebra de contrato sobre dados que Lindell acredita provarem que a China interferiu nas eleiçoes de 2020 e informou o resultado a Joe Biden, atual presidente norte-americano.
Entretanto, Lindell adiantou à AP que não tenciona pagar os cinco milhões de dólares (cerca de 4,1 milhões de euros) e que vai recorrer da decisão para os tribunais. "Vai acabar em tribunal. Não vou pagar nada ...ele não provou nada", ripostou.
Lindell, um proeminente defensor das alegações de que as máquinas de votação foram manipuladas para roubar as eleições presidenciais de 2020, lançou o seu "Prove Mike Wrong Challenge", como parte do "Cyber Symposium" que encenou em Sioux Falls, Dakota do Sul, em agosto de 2021, para promover as suas teorias conspirativas.
Lindell ofereceu, através de uma das suas empresas (Lindell LLC), uma recompensa de 5 milhões de dólares para qualquer pessoa que pudesse provar que os "pacotes de dados" que divulgou não eram dados válidos "a partir das eleições de novembro de 2020".
Robert Zeidman, um engenheiro de software, entrou no desafio com um relatório de 15 páginas que concluiu que os dados de Lindell não "continham qualquer tipo de pacote de dados e não continham qualquer informação relacionada com as eleições de novembro de 2020".
Um painel de juízes do concurso, que incluía um advogado da Lindell LLC, recusou-se a declarar Zeidman como vencedor. Inconformado, Zeidman requereu a arbitragem do litígio, de acordo com as regras do concurso.
Após a realização de uma audiência probatória em Minneapolis em janeiro, os três árbitros ordenaram à Lindell LCC que pagasse os cinco milhões de dólares a Zeidman.
"Ele provou os dados que a Lindell LLC forneceu (...) inequivocamente não reflectiu os dados eleitorais de novembro de 2020", disseram os árbitros, concluindo: "O não pagamento a Zeidman do prémio de 5 milhões de dólares foi uma violação do contrato, o que lhe deu direito a recuperar".
Os árbitros ordenaram a Lindell que pagasse aquele valor a Ziedman no prazo de 30 dias.
O advogado de Zeidman, Brian Glasser, comentou que a decisão dos árbitros marcou "outro momento importante na prova em curso de que a eleição de 2020 foi legal e válida", e que as afirmações de Lindell sobre a validade dos seus dados tinham sido "definitivamente refutadas".
Lindell contestou e avançou que tenciona divulgar dados adicionais nas próximas semanas ou meses que provam as suas alegações de interferência chinesa nas eleições de 2020, validando assim o que divulgou anteriormente.
Lindell já foi processado por difamação, no valor de 1,3 mil milhões de dólares (cerca de 1,17 mil milhões de euros), pela "Dominion Voting Systems", de Columbia, que alega que Lindell acusou falsamente a empresa de manipular as eleições presidenciais de 2020.
É também alvo de um outro processo por difamação instaurado no Minnesota por uma empresa de máquinas de votação diferente, a Smartmatic.
Lindell considera que tudo isto é "um esforço para o fazer acabar com a sua cruzada contra as máquinas de voto eletrónicas" e advertiu:"Vou gastar tudo o que tenho para salvar o país que amo".
