Crise

Militares a postos. Pressão sobre combustíveis diminuiu no Reino Unido

Militares a postos. Pressão sobre combustíveis diminuiu no Reino Unido

Cerca de 150 motoristas das Forças Armadas do Reino Unido estão de prevenção, a postos para saltar para os camiões e entrar na guerra contra a escassez de combustíveis no Reino Unido. Um conflito que caminha para um fim pacífico, argumenta o Governo.

"Acho que nos próximos dias veremos alguns soldados a conduzir camiões de abastecimento de combustíveis", admitiu o ministro da Economia britânico, Kwasi Kwarteng. Em declarações à cadeia de televisão norte-americana CNN, confirmou que 150 militares estão a postos para trocar os tanques pelos autotanques e contribuir para o alívio dos ingleses, que esperam horas para abastecer os carros.

"Os últimos dias têm sido difíceis", admitiu Kwasi Kwarteng. Mas, o pior, parece já ter passado. Contas feitas pela Associação de Revendedores de Combustíveis (PRA na sigla em inglês), cerca de 27% das mais de oito mil postos de combustível estão sem combustíveis. Uma melhoria face aos números do fim de semana, quando dois terços, cerca de 66% das bombas, estava seca.

"Com os reabastecimentos regulares a serem feitos, esta percentagem vai melhorar nas próximas 24 horas", disse a PRA, em comunicado, na terça-feira. Os números mais recentes confirmam: a percentagem de postos sem combustível baixou de 37% para 27%, de um dia para o outro.

"Assistimos a muitas filas, mas a situação está a estabilizar", observou Kwasi Kwarteng. Uma opinião em linha com a de outro membro do Governo britânico. "Há sinais encorajadores" de estabilização nos postos de abastecimento, observou o ministro dos Transportes, Grant Shapps, em declarações à BBC.

"Quanto mais depressa todos retomarmos os nossos hábitos de consumo normais... mais depressa voltamos à normalidade", avisou Shapps, secundando palavras do primeiro-ministro, Boris Johnson. "Abasteçam normalmente, apenas quando precisarem".

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Palavras levadas pelo vento. Há vários relatos de açambarcamento, com o Governo a admitir que há pessoas a abastecer sem necessidade. Uma bomba da Shell, no centro de Londres, recebeu 10300 litros de gasóleo e esgotou em menos de 14 horas. Demorou mais a vender os 24 mil de gasolina, mas ficou completamente seca em menos de um dia.

O problema não está na falta de combustível - britânicos dizem que as refinarias estão cheias - mas no transporte dos produtos petrolíferos para os postos de abastecimento. "Estamos com falta de 100 mil motoristas, de momento, incluindo 20 mil condutores europeus que deixaram o país por causa do Brexit", disse um porta-voz da Associação de Transportes Rodoviários (RHA na sigla em inglês), Rod McKenzie, em declarações ao canal de televisão da BBC, na semana passada.

Muitos dos motoristas que deixaram a Grã-Bretanha eram da Europa de Leste e voltaram para casa, para fugir à pandemia ou escapar ao endurecimento das regras de imigração. Como não se formam motoristas de um dia para o outro, o Governo inglês avançou com medidas de urgência para tentar aliviar a pressão, como a emissão de cinco mil vistos de trabalho temporários para camionistas e suspensão da lei que impedia os fornecedores de abastecer operadores rivais, entre outras medidas.

Para o presidente da Câmara de Comércio Britânica, Ruby McGregor-Smith, a autorização de mais cinco mil vistos para camionistas é como "atirar um balde de água para um grande incêndio", pouco se vai notar.

Ainda que precise muito de mais motoristas, o Governo britânico não estará na disponibilidade de aligeirar o garrote à entrada de estrangeiros, apesar de ter anunciado uma suavização temporária das leis de emigração para permitir a entrada no país de 5500 trabalhadores de aviários para ajudar a tratar dos perus para o Natal.

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