Óbito

Morreu o intelectual George Steiner

Morreu o intelectual George Steiner

George Steiner, que se tornou um dos maiores e mais prestigiados intelectuais do mundo, morreu esta segunda-feira na sua casa, em Cambridge, no Reino Unido, com 90 anos. A notícia foi avançada pela agência The Associated Press, a quem o filho de George Steiner confirmou a morte do escritor.

Um ensaísta, escritor de ficção, professor, estudioso e crítico literário, que sucedeu a Edmund Wilson como revisor de livros sénior do The New Yorker de 1966 a 1997. Steiner tanto deslumbrou quanto desiludiu os seus leitores com a variedade e a obscuridade ocasional das suas referências literárias. O crítico escreveu centenas de ensaios, poemas, obras de livros e uma novela, "O Portage de San Cristobal AH", que enfureceu alguns dos seus seguidores com a descrição de Hitler, onde o nazi justificava os seus horrores ligando-os ao renascimento moderno de Israel.

A novela fala de uma caçada de Hitler na floresta da Amazónia, no Brasil, onde este se defendia ao dizer que os judeus foram os primeiros a intitular-se de "povo escolhido", o que de alguma forma traçou o seu próprio destino.

Steiner cresceu no seio de uma família de judeus austríacos que fugiram de França para os Estados Unidos da América em 1940. O escritor tinha memórias de multidões em Paris que gritavam "Matem os judeus!" na rua do lado de fora do apartamento. Enquanto a família olhava pela janela, o pai disse-lhe: "Isto chama-se história, e tu nunca deves ter medo".

A vida de George Steiner

O ensaísta casou-se com a historiadora Zara Shakow em 1955, com quem teve dois filhos: David Steiner, que dirige o Instituto Johns Hopkins de Política Educacional, e Deborah Steiner, presidente do departamento de clássicos da Universidade de Columbia.

George Steiner frequentou uma escola francesa em Nova Iorque e depois estudou na Universidade de Harvard e na Universidade de Chicago, antes de se mudar para Londres e se juntar à equipa do The Economist. Uma das suas primeiras tarefas foi entrevistar um dos projetistas da bomba atómica, J. Robert Oppenheimer, que lhe "inspirou medo de arrepiar os ossos", mas ao mesmo tempo gosto suficiente para o convencer a fazer parte do Institute for Advanced Study, em Princeton.

Seguiu-se a Universidade de Cambridge, onde permaneceu o resto da vida, primeiro como membro do Churchill College e depois como bolsista extraordinário. Foi membro honorário do Balliol College, Oxford e também deu aulas na Universidade de Genebra, na Universidade de Nova Iorque e em Harvard, onde foi nomeado professor de poesia Charles Eliot Norton no ano de 2001-2002.

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