Diplomacia

Mundo aliviado com acordo que permite libertação de cereais

Mundo aliviado com acordo que permite libertação de cereais

Documentos assinados separadamente pela Rússia e Ucrânia aprovam exportação de toneladas de grãos. Guterres destaca sinal de esperança.

Após dois meses de negociações sob a alçada da Turquia, o esperado fumo branco surgiu: a Ucrânia e a Rússia chegaram a um acordo para a libertação dos 25 milhões de toneladas de cereais presos em 80 portos ucranianos, porém, o documento que sustenta a decisão não foi assinado em conjunto. O regime de Kiev rejeitou subscrever um acordo com Moscovo e, como tal, assinou um pacto com as Nações Unidas. A Rússia, por sua vez, firmou uma espécie de "acordo-espelho" com Ancara e a ONU, fazendo o Mundo respirar de alívio, antecipando-se uma normalização dos preços do trigo - que já terá caído 2%.

No Palácio Dolmabahçe, em Istambul, e juntamente com o anfitrião Recep Tayyip Erdogan, presidente turco, António Guterres mediou as negociações entre os estados rivais. O secretário-geral da ONU admite que o acordo "vai trazer alívio aos países em desenvolvimento, à beira da falência, e às pessoas mais vulneráveis, à beira da fome". O líder destacou ainda que "hoje há um farol no mar Negro. O farol da esperança". Mais tarde, em entrevista à CNN, fez um apelo: "Deixemo-nos ser inspirados por aquilo que foi conseguido e que cheguemos o mais rapidamente a uma trégua", disse, referindo-se ao fim da ofensiva na Ucrânia.

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Erdogan pede o mesmo, reiterando que o progresso abre portas a um sentimento de "esperança de acabar com a guerra", embora reconheça que "não foi fácil" chegar a um consenso, que levou à assinatura de dois documentos diferentes pelo ministro da Defesa russo, Serguei Shoigu, e pelo ministro das Infraestruturas ucraniano, Oleksandr Kubrakov. Os dois representantes terminaram a cerimónia sem um discurso conjunto, mas assinalaram o momento com um ato inesperado: um aperto de mão.

À distância, Ursula von der Leyen felicitou o desfecho, deixando uma palavra especial ao trabalho da ONU na libertação dos cereais. "Obrigada caro António Guterres pelos incansáveis esforços", escreveu a presidente da Comissão Europeia no Twitter.

Para Josep Borrell, Alto Representante da UE para a Política Externa, "este é um passo crucial nos esforços para superar a insegurança alimentar global causada pela agressão da Rússia contra a Ucrânia".

Tréguas no mar Negro

Seguem-se agora meses de reorganização na circulação de navios no mar Negro. Segundo o acordo ontem firmado, caberá às autoridades da ONU e da Turquia ajudar neste processo, que poderá demorar cerca de um mês. Uma vez em circulação, os navios que partem, ou chegam, à Ucrânia têm de parar em Istambul, para que entidades competentes verificam se a mercadoria cumpre os trâmites legais.

Depois da assinatura dos documentos, Ancara ofereceu-se para ajudar a desminar o mar Negro e, em paralelo, a Rússia compromete-se a não beneficiar da abertura dos portos do país que é considerado o celeiro da Europa.

O acordo cede ainda às exigências feitas por Vladimir Putin após o presidente russo exigir que as sanções contra Moscovo não poderiam recair em cereais e fertilizantes russos. No entanto, tal como Kiev, terá de cumprir a sua parte, afastando qualquer atividade militar no mar Negro durante a passagem de navios de carga.

Espera-se que os quatro meses em que o acordo está ativo cheguem para exportar os cereais bloqueados, porém, caso o período não seja suficiente, o documento será renovado.

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