Investigação científica

Coleiras em ursos polares enviam emails para cientistas

Coleiras em ursos polares enviam emails para cientistas

Cientistas do Instituto Polar Norueguês estão a sedar ursos polares e a colocar-lhes coleiras que transmitem informações sobre as suas rotinas e estado de saúde. Os dados são enviados via satélite para a caixa de correio eletrónico dos investigadores.

Os ursos polares de Svalbard, um arquipélago norueguês entre a Noruega e o Polo Norte, estão a ser sedados para lhes ser colocada uma coleira que recolhe dados para investigação científica. Jon Aars, investigador no Instituto Polar Norueguês, recebe diariamente vários emails de ursos fêmeas, que permitem verificar as suas localizações, bem como fazer um check up geral do animal. "É sempre uma boa maneira de começar o dia", diz.

Além da aplicação da coleira, o investigador ainda pesa os ursos, recolhe amostras para controlar a saúde do animal e testar a presença de poluentes. A coleira regista também a temperatura corporal, que por vezes indica se a fêmea de moveu para dentro de uma toca, o que significa que vai dar à luz. A cada ano, os investigadores do instituto sedam 70 ursos e colocam coleiras de rastreio que registam constantemente os movimentos do urso. Uma vez por dia, a coleira emite uma chamada via satélite para a caixa de emails de Jon com os dados recolhidos nas últimas 24 horas. "Os dados dos movimentos tem sido muito importantes para compreender como eles reagem e como eles podem responder às alterações climáticas", explica à CNN.

O aquecimento do clima faz com que o gelo esteja a derreter em várias regiões e o aumento das temperaturas está a impedir que se forme nos lugares habituais. A principal presa dos ursos polares, a foca, depende do gelo. "Como as condições mudam, os ursos polares vão passar mais tempo em terra e procurar outras opções. Eles caçam renas, pássaros e ovos. Vimos que os ursos estão em áreas diferentes do que costumavam estar, muito mais a norte", revela.

A perda de gelo tem também tido impacto no lugar onde nascem as crias, "uma camada de gelo marinho no topo do oceano torna possível aos ursos caminharem longas distâncias", mas agora estão a nadar 200 quilómetros para chegar a uma toca numa ilha, algo que não precisavam de fazer há 20 anos.

"Os ursos polares são animais otimistas e bastante resistentes. Estão bastante bem, apesar de terem perdido muito do seu habitat", assegura o investigador. Nos últimos anos o número de ursos polares a habitar em Svalbard não parece ter diminuído, porém é difícil encontrar ursos polares onde não há gelo. "A mudança é tão significativa e tão rápida que chegaremos a uma fase no futuro em que será muito mais difícil ser um urso polar em Svalbard", realça.

Aars acredita que a investigação irá ajudar estes ursos futuramente, "se ainda existir algum gelo marinho, o suficiente para que eles possam lá estar, então é muito importante saber o que mais se pode fazer para garantir que essas espécies vivem o melhor possível", afirma. Restam apenas 26 mil ursos polares no mundo, e Svalbard é a casa de 300.

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