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Murros e pontapés também são tradição de Natal

Murros e pontapés também são tradição de Natal

O dia 25 de dezembro em Chumbivilcas, Peru, é esperado com ansiedade, mas não pelos motivos que pensa. Em vez de se abrirem presentes, nesta região resolvem-se problemas com uma luta natalícia. Veja as imagens.

Para que o novo ano comece em paz e harmonia, os habitantes desta região peruana têm como tradição resolver os problemas que foram surgindo ao longo desse ano com o festival de Takanakuy, uma palavra local que significa "lutar entre si".

Neste dia, qualquer pessoa pode convocar alguém com quem teve um desentendimento, para resolver o diferendo ao murro e pontapé. Basta sair do meio da multidão reunida na praça de touros e dizer o nome da outra pessoa. Se ela também se aproximar do centro da arena, aceitou o convite e vai haver luta.

As regras são simples: nada de golpes pelas costas, não se pode bater em alguém que caiu ao chão e só valem murros e pontapés. A duração do combate é de três de minutos e, no final, tem de haver um abraço entre os envolvidos na disputa, já que o tempo é de paz e harmonia.

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Esta tradição remonta ao tempo do colonialismo espanhol, quando, a 25 de dezembro, os espanhóis lutavam com os escravos por diversão. Os espanhóis saíram do Peru, mas a tradição aliou-se aos cânticos e danças da resistência inca e o festival Takanakuy sobreviveu, para manter acesa a chama do espírito guerreiro daquele povo, revelou um investigador do tema à BBC.

O festival está envolto em polémica pela violência que promove, mas os locais salientam que é um costume totalmente voluntário e que há coisas bem mais violentas a acontecer no Natal.

"Muitos criticam que lutemos no 25 de dezembro, mas não conheço nada mais selvagem e egoísta do que jantar bem e dar presentes uns aos outros, quando, ao lado de tua casa, há outros que não têm de comer. Aliás, nós celebrávamos o Takanakuy ainda antes de celebrarmos o Natal, que é uma tradição ocidental e capitalista, que não nos representa", afirmou Florentino Laime à BBC.

Na noite anterior à luta, dança-se e bebe-se em casa dos padrinhos da cerimónia, que todos os anos são pessoas pessoas diferentes. No dia seguinte, todos se reúnem na praça de touros para dar início às lutas.

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