Ambiente

O "apocalipse" dos insetos que coloca em risco a vida na Terra

O "apocalipse" dos insetos que coloca em risco a vida na Terra

Passa despercebido à maior parte das pessoas, mas representa uma grande ameaça para a vida no Planeta Terra. O desaparecimento de milhões de insetos deve ser analisado com atenção, alerta uma equipa de especialistas que dá conta de uma redução drástica destes animais nos últimos anos.

Cerca de metade de todos os insetos, de acordo com um relatório recente, terão desaparecido desde 1970 em resultado da utilização massiva de pesticidas.

O estudo, que se foca de modo particular no que se passa no Reino Unido, refere que 23 espécies de abelhas e vespas foram extintas no último século, ao mesmo tempo que as aplicações de pesticidas duplicou nos últimos 25 anos.

O desaparecimento de alguns habitats, particularmente para a atividade agrícola, é outro dos elementos apontado pelo relatório "Wildlife Trust". Desde 1950, estima-se que o Reino Unido tenha perdido 50% das suas planícies, 98% dos prados de flores silvestres e 50% das florestas mais antigas para a agricultura.

As borboletas são uma das espécies mais ameaçadas e que sofreu uma maior perda dos nos últimos anos. As que vivem em habitats especializados viram o número reduzir em 77% e mesmos as generalistas caíram para metade. O relatório estima que 41% de toda a população de insetos está ameaçada pela extinção.

E a redução destes animais também tem efeitos indiretos noutras espécies, como os papa-moscas, um pássaro que se alimenta exclusivamente de insetos voadores. A população desta ave caiu 93% desde 1967. Os cientistas sublinham, ainda, o papel que os insetos têm nos ecossistemas, como polinizadores, alimentos para outros animais e recicladores de nutrientes.

Travão aos pesticidas

Apesar dos números alarmantes, os especialistas acreditam que a tendência pode ser alterada. O primeiro passo é a redução das aplicações de pesticidas na agricultura. A aposta em zonas verdes nas grandes cidades é outro dos factores que pode ajudar a travar o declínio destes animais

"Mesmo não sendo possível atribuir um número exato, podemos ter perdido 50% ou ainda mais dos insetos desde 1970", disse Dave Goulson, da Universidade de Sussex, no Reino Unido, e um dos autores do relatório. "Se não pararmos o declínio dos nossos insetos vai haver consequências profundas para toda a vida na Terra", enfatizou.

O Planeta está agora a viver a sexta extinção em massa, com enormes perdas em algumas espécies animais, mais facilmente estudadas do que os insetos. A população de insetos, que ultrapassa a dos humanos em 17 vezes, colapsou já em países como a Alemanha ou Porto Rico e o primeiro relatório global, apresentado em fevereiro, refere que a redução generalizada destes animais representa "um colapso catastrófico dos ecossistemas".

"Este apocalipse que passa despercebido deve fazer soar todos os alarmes. Estamos a colocar em risco alguns dos elementos fundamentais da vida na Terra", refere Dave