Reino Unido

O erro que pôs um país no pior dos rankings da Covid-19

O erro que pôs um país no pior dos rankings da Covid-19

"Estamos duas ou três semanas atrás de Itália", dizia, no dia 22 de março, um primeiro-ministro que acabara de perceber o drama em que o Reino Unido se tinha metido e ordenara, finalmente, o fecho de escolas, bares, restaurantes, ginásios, etc.

Mas continuava a apenas aconselhava os britânicos a ficar mais por casa e a guardar algum distanciamento do próximo, como já vinha fazendo desde 16 de março.

O resto da Europa já fechara tudo havia dias. Enquanto isso, a estratégia britânica de "imunidade de manada" - deixar que uma imensa maioria (60%) se infetasse para construir a imunidade global, à custa da morte dos mais expostos - seguia inamovível. Entretanto, Boris Johnson adoeceu, isolou-se (em 27 de março), desvalorizou os sintomas, dizendo-os leves (até porque impunha-se manter a imagem de liderança da situação), e acabou nos cuidados intensivos (em 6 de abril).

Curado, esta semana, foi claro: o Reino Unido não pode desconfinar. Os números, na quarta-feira, deram-lhe razão - o país transformou-se no segundo com maior mortalidade na Europa, terceiro no Mundo. A 1500 óbitos de diferença de Itália.

O salto na mortalidade operou-se porque, à semelhança de outros países, só com a pandemia muito espalhada se resolveu começar a somar as mortes ocorridas em lares e em casa. Já juntou 4419 mortes à contabilidade geral e não estarão, ainda, todas registadas.

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Com mais de 26 mil óbitos numa população de 66 milhões de habitantes, ultrapassou a França (mesma população mas há mais a sofrer com a pandemia) e Espanha (onde a mortalidade parece ser, ainda, a pior, em proporção com a população de 47 milhões). E abeira-se da Itália (60 milhões). A bem menos do que poderiam significar duas semanas.

Ainda que, oficialmente, o Governo britânico rejeite que a "imunidade de manada" fosse a política seguida, a verdade é que era essa a atitude. Johnson chegou a dizer que os britânicos deviam continuar com as suas vidas. Porque, no cenário que o envolvia, havia uma batalha maior a vencer: a da justeza da saída da União Europeia no dia 31 janeiro. O Brexit. Até a vida com a namorada, Carrie Symonds, grávida e finalmente anunciada como noiva, era arma de comunicação. Até que a Covid-19 entrou para o tabuleiro. Nem o nascimento do filho, ontem, afastou Johnson por muito tempo da gestão da crise.

Serviços de saúde prontos para 2.ª vaga mais intensa

O responsável da estratégia de combate à Covid-19 em Itália assegura que o país está preparado para uma segunda vaga de infeções, "ainda maior do que a primeira", se o desconfinamento levar a um aumento de casos. Segundo Domenico Arcuri, Itália tem hoje o dobro dos ventiladores atualmente necessários e as 5200 camas de cuidados intensivos com que contava antes da pandemia duplicaram para cerca de 9000.

As camas em cuidados semi-intensivos aumentaram seis vezes, tal como a capacidade em enfermarias. O relaxamento das medidas de confinamento no país mais afetado da Europa está a ser planeado para começar em 4 de maio.

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