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O moderador não se apercebeu do descarrilamento nem da estratégia

O moderador não se apercebeu do descarrilamento nem da estratégia

Moderador do debate entre Trump e Biden, no âmbito das eleições presidenciais, confessa ter-se sentido "desesperado".

Pelos vistos, nem em sonhos Chris Wallace, o moderador do primeiro debate entre os candidatos às eleições presidenciais norte-americanas - o atual presidente, Donald Trump, e o democrata Joe Biden -, anteviu que o evento iria descarrilar da forma que descarrilou, resultando num desastre alimentado a insultos, copiosas interrupções e incapacidade de alinhar duas ideias.

Curiosamente, o jornalista do canal televisivo Fox News começou por pensar que ia assistir a um debate. "No início, quando vi Trump dirigir-se diretamente a Biden, pensei: "Ótimo, isto é mesmo um debate"", disse ao jornal britânico "The Guardian".

O entusiasmo esfumou-se num ápice, pois rapidamente se percebeu que o plano do presidente era tentar "atropelar" o democrata com interrupções constantes. "Não me apercebi de que iria ser a estratégia de Trump, não apenas para o começo do debate, mas, sim, para toda a hora e meia."

Por mais "por favor, não interrompa"; "por favor, respeitem as regras" e "isto não está a ser um serviço ao país" que Wallace lançasse, a verdade é que o moderador, perante a inutilidade das suas intervenções, sucumbiu ao "desespero". Mas a noite tinha de continuar, por mais penosa que fosse. E quase 80 milhões de telespectadores norte-americanos - e não só - podem confirmar que, de facto, o foi.

Perante tamanha alarvidade, a comissão responsável pela organização dos debates anunciou medidas adicionais para "manter a ordem" durante os próximos encontros - a 15 e a 22 próximos - entre os candidatos às presidenciais de 3 de novembro.

Se os desejos de um número assaz elevado de telespectadores se concretizarem, entre as ferramentas complementares - que serão anunciadas brevemente -, estará a possibilidade de o moderador poder silenciar o microfone dos intervenientes no debate, através de um botão "mute".

Agora, não os conhece

Umas das intervenções mais polémicas de Trump foi aquela na qual ele pediu ao grupo supremacista branco Proud Boys para, "por agora, se afastar e esperar", no que foi entendido como eventual apoio presidencial aos fascistas.

Segundo o site norte-americano "Politico", a atitude poderá custar votos a Trump no estado da Florida - um dos mais importantes nas contas finais das eleições -, pois a comunidade negra encaixou mal aquela parte da performance do presidente durante o debate.

Ontem, Trump afirmou que não sabe quem são os Proud Boys, apesar de os ter mencionado e dirigir-se a eles. Mas o presidente também julgava que a gripe "espanhola" (1918) entrou nos EUA na sequência da Segunda Guerra Mundial... v

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