Coronavírus

"Inação" de países leva OMS a declarar pandemia de Covid-19

"Inação" de países leva OMS a declarar pandemia de Covid-19

A Organização Mundial da Saúde declarou, esta quarta-feira, uma pandemia de Covid-19.

"Estamos profundamente preocupados tanto pelos níveis alarmantes de propagação e gravidade, como pelos níveis alarmantes de inação. Por isso, consideramos que o Covid-19 pode caracterizar-se como uma pandemia", disse o diretor-geral da instituição, Tedros Adhanom Ghebreyesus, na conferência de imprensa diária da OMS, na sede da organização, em Genebra.

"Descrever a situação como uma pandemia não muda a avaliação da OMS sobre a ameaça colocada por este coronavírus. Não muda o que a OMS está a fazer nem o que os países devem fazer", continuou o responsável, acrescentando que "'pandemia' não é uma palavra para usar casual ou levianamente". "É uma palavra que, se mal utilizada, pode provocar medo sem razão ou levar a aceitar sem justificação que o combate acabou, levando a sofrimento e mortes desnecessárias", salientou.

Desde janeiro até esta quarta-feira, estão confirmados mais de 118 mil casos de infeção com o novo coronavírus (dos quais 66 mil recuperados) em 114 países, e mais de quatro mil mortes. O responsável da OMS adiantou que mais de 90% dos contágios aconteceram unicamente em quatro países e que dois deles, China e Coreia do Sul, já conseguiram baixar o número de casos. Em Portugal, o último balanço dá conta de 59 casos confirmados.

O que é uma pandemia?

Uma pandemia é a disseminação mundial de uma doença nova. Ocorre quando um novo vírus emerge e se espalha pelo mundo, e a maioria das pessoas não tem imunidade. A partir do momento em que é declarada a pandemia, não há países salvaguardados: o foco passa de tentar ajudar o país ou países para atuar dentro de fronteiras. Num cenário de pandemia, todos os países continuam obrigados a partilhar conhecimentos e informações sobre o vírus, mas o direcionamento de apoio - humano ou material - para os países mais afetados é dificultado.

Na prática, ao anunciar a pandemia, a OMS indica que os governos devem trabalhar não apenas para conter um caso, mas para atender uma parcela da população mais ampla e vulnerável. Em vez de estratégias direcionadas para identificar casos e isolar pessoas, apela-se a um plano sanitário que evite mortes, através de medidas mais duras e agressivas.

A última doença a ser considerada uma pandemia foi a do vírus H1N1 (gripe A), em junho de 2009: nesse mês, havia só 29 mil casos e 144 mortos. A taxa de mortalidade foi muito reduzida (0,02%), inferior à da gripe normal (0,1%).

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