Moçambique

Dirigente da oposição raptado em Moçambique foi encontrado morto

Dirigente da oposição raptado em Moçambique foi encontrado morto

O dirigente da Renamo raptado na quarta-feira em Gondola, centro de Moçambique, foi encontrado morto.

O corpo de Filipe Jonasse Machatine, delegado distrital da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana) em Gondola e membro da Assembleia Provincial de Manica, foi encontrado morto na quinta-feira perto do posto administrativo de Dombe, com marcas de oito balas, informou António Muchanga, porta-voz do maior partido de oposição, numa conferência de imprensa em Maputo.

Segundo o porta-voz do maior partido de oposição, os supostos autores do rapto foram vistos pela população quando levaram a vítima da sua residência na quarta-feira e também quando depositaram o corpo e ainda avistados após o crime no distrito de Mossurize, província de Manica, transportando-se em três viaturas "pick-up".

"Fica claro que não há nenhum elemento da Renamo a perseguir outro elemento da Renamo. Aliás os desgraçados da Renamo nem têm viaturas", disse Muchanga, referindo-se a declarações de autoridades policiais de que alguns incidentes recentes de violência política em Moçambique são questões internas do maior partido de oposição.

Para o porta-voz da Renamo, chegou o momento de se condenar e pedir o envolvimento da Assembleia da República e da Assembleia Provincial de Manica, "no esclarecimento desses atos hediondos", que atribui a "criminosos camuflados de altos dirigentes do Estado".

Nas últimas semanas, Governo e Renamo têm vindo a acusar-se mutuamente de ataques armados, raptos e homicídios, numa escalada de violência política que teve o seu auge com o ataque a tiro, a 20 de janeiro, do secretário-geral do maior partido de oposição, Manuel Bissopo, na cidade da Beira.

Segundo Muchanga, o número dois do seu partido já saiu dos cuidados intensivos e encontra-se numa enfermaria normal numa clínica na África do Sul até concluir os tratamentos.

"Temos de deixar os malabarismos e encontrar o caminho da paz. Conversar seriamente para que se pare de despender recursos que deveriam ajudar os setores sociais, fomentando uma guerra desnecessária", declarou Muchanga, afastando porém negociações diretas com o Governo por falta de "condições morais, de segurança e de confiança".

Esse diálogo, justificou, tornou-se inviável após a sequência de incidentes, entre setembro e outubro do ano passado, envolvendo o presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, em Manica e na Beira, e que a oposição atribui a ordens da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), partido no poder.

A Renamo propôs a mediação do Presidente da África do Sul, Jacob Zuma, e da Igreja Católica, assegurando que já recebeu resposta positiva de ambos, faltando a concordância do Governo.

"Até aqui o Governo ainda não contactou o Presidente Jacob Zuma e a Igreja católica, nem se dignou a responder à proposta da Renamo. Pelo menos sim ou não", declarou Muchanga.

O porta-voz do partido de oposição apontou ainda "grandes contradições" à polícia ao falar de armas da Renamo quando exibe, por exemplo, 90 armas artesanais em Vilanculos, que, na verdade, argumentou, são usadas na caça furtiva e contra a polícia de proteção da fauna bravia.

A Renamo, referiu, reuniu informação sobre vários incidentes envolvendo o partido de oposição e que foi entregue à Procuradoria-Geral da República para investigação. "Exigimos esclarecimento, porque é o papel da Procuradoria", declarou António Muchanga.

Moçambique vive momentos de incerteza política, provocados pela recusa da Renamo em reconhecer os resultados das últimas eleições gerais e ameaçar tomar o poder em seis províncias onde reclama vitória.

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