Covid-19

Parque de cinzas humanas vai prestar tributo às vítimas da pandemia na Índia

Parque de cinzas humanas vai prestar tributo às vítimas da pandemia na Índia

Quando os residentes da cidade indiana de Bhopal começarem a passear novamente, estarão a caminhar sobre os restos mortais de seis mil pessoas que foram cremadas durante a segunda vaga de covid-19 no país.

Uma área de cerca de 1114 metros quadrados de terreno baldio está a ser convertida no que Bhopal, capital do estado de Madia Pradexe, na Índia, planeia ser um memorial e um exuberante cemitério para aqueles que morreram durante a pandemia de covid-19.

Até recentemente, as cinzas de cerca de seis mil pessoas estavam depositadas no crematório Bhadbhada Vishram Ghat em grandes urnas, não tendo sido levantadas por nenhum familiar, de acordo com o "Hindustian Times".

Embora desejando conceder às vítimas todo o respeito, o gerente do crematório Mamtesh Sharma, de 51 anos, estava cada vez mais preocupado com o espaço.

"No auge da segunda vaga, depois de queimarmos entre 100 e 150 corpos por dia, tivemos de continuar a abrir espaço. Adicionámos cada vez mais armários nos quais guardámos as urnas. Agora não há mais espaço, mas precisamos [dele] para outras cremações", contou Sharma.

A solução óbvia era, segundo a tradição hindu, deitar as cinzas ao rio Narmada. Porém, Sharma não queria poluir o rio com tamanha quantidade de cinzas de uma só vez. São necessários cerca de 500 quilos de madeira para cremar um corpo, resultando em cerca de 50 quilos de cinzas.

Assim, Sharma e os colegas decidiram misturar as cinzas com solo, areia, serragem de madeira e estrume de vaca e espalhá-las num terreno baldio próximo, transformando-o num parque memorial.

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O jardim vai agora a ser desenvolvido com a "técnica Miyawaki", original do Japão, através da qual cerca quatro mil plantas podem ser colocadas no parque. As plantas vão demorar entre 15 a 18 meses para crescer.

O estado indiano de Madhya Pradesh, no centro da Índia, onde está localizada a cidade de Bhopal, registou 790042 casos de covid-19 e mais de nove mil mortes. O país já teve mais de 30 milhões de pessoas infetadas e mais de 400 mil óbitos.

Em maio, o país enfrentou um aumento de casos de variantes altamente transmissíveis, o que sobrecarregou o sistema de saúde, paralisou o setor de serviços funerários e levou ao descarte de corpos no rio Ganges.

No mesmo mês, a Índia também anunciou que o fungo preto, infeccioso e mortal, estava a tornar-se uma epidemia secundária que circulava entre os sobreviventes da covid-19, fazendo com que perdessem olhos e membros.

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