Reino Unido

"Partygate": Boris Johnson recusa novamente demitir-se

"Partygate": Boris Johnson recusa novamente demitir-se

O primeiro-ministro britânico voltou, esta quarta-feira, a rejeitar os pedidos de demissão lançados pela oposição na sequência da investigação policial a uma série de eventos em Downing Street, que alegadamente violaram as restrições durante a pandemia de covid-19.

Lembrando que o Código Ministerial determina que os ministros que enganem o parlamento devem demitir-se, o líder do Partido Trabalhista, a principal força da oposição britânica, Keir Starmer, pediu a demissão de Boris Johnson no debate semanal com os deputados.

Keir Starmer lembrou que, em dezembro, Boris Johnson disse que "todas as recomendações foram respeitadas" e que tinha recebido garantias de que "não houve festas" na residência oficial, em Downing Street.

"Já que reconheceu que o Código Ministerial se aplica a ele, vai agora demitir-se?", questionou Starmer, ao que o primeiro-ministro britânico respondeu: "Não".

Em vez de perguntas sobre o escândalo conhecido como "Partygate", Boris Johnson contrapôs, durante o debate, que os britânicos "querem ouvir" o que as autoridades estão a fazer "para resolver as questões que importam", como aumentar o salário mínimo e ajudar as pessoas com baixos rendimentos para fazer face ao aumento do custo de vida.

A polícia britânica confirmou na terça-feira estar a investigar uma série de eventos realizados na residência oficial do primeiro-ministro britânico, que alegadamente terão violado as restrições impostas no âmbito da pandemia de covid-19.

PUB

A comissária da Polícia Metropolitana, Cressida Dick, vincou que as investigações sobre o desrespeito das regras ocorrido no passado só são realizadas em casos "mais graves e flagrantes", e quando se considera que os envolvidos "deveriam saber que o que estavam a fazer era uma infração".

O jornal "The Times" contabilizou 18 alegadas "festas" que ocorreram em edifícios governamentais ou do Partido Conservador com a presença de ministros, assessores do primeiro-ministro, funcionários públicos, funcionários da força partidária e do próprio Boris Johnson.

De acordo com vários meios de comunicação, oito destas "festas" estão a ser investigadas pela polícia.

O resultado de um inquérito governamental interno, conduzido por uma funcionária pública superior, Sue Gray, é esperado esta semana.

Os Liberais Democratas sugeriram que Boris Johnson deve ser suspenso enquanto decorre a investigação policial, como acontece noutros casos para evitar que os suspeitos prejudiquem a averiguação dos factos.

O escândalo conhecido por "Partygate" está a causar uma onda de indignação, já que muitas pessoas ficaram impossibilitadas de acompanhar familiares e pessoas próximas que morreram ou que estavam doentes ou sozinhos durante a atual crise sanitária por causa das restrições em vigor.

Sondagens mostram uma queda na popularidade de Boris Johnson, de 57 anos, eleito em 2019 com uma maioria absoluta histórica graças à promessa de concretizar o Brexit (processo de saída do Reino Unido da União Europeia).

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG