Afeganistão

Pentágono revela que tráfego foi retomado no aeroporto de Cabul

Pentágono revela que tráfego foi retomado no aeroporto de Cabul

O Pentágono revelou na segunda-feira que foi retomado o tráfego no aeroporto de Cabul, capital do Afeganistão, tomada nas últimas horas pelos talibãs e de onde milhares de pessoas tentam escapar por temer represálias.

A situação no Aeroporto Internacional Hamid Karzai, cujas pistas foram invadidas por milhares de pessoas tentando desesperadamente fugir do Afeganistão, obrigou a que todos os voos fossem suspensos por várias horas na tarde de segunda-feira.

Num briefing no Pentágono, o general Hank Taylor afirmou por volta das 17.30 horas locais (22.30 horas em Portugal continental) que o tráfego no aeroporto está de novo aberto.

Pelo menos duas pessoas armadas foram mortas a tiro pelas forças norte-americanas no aeroporto, em Cabul, confirmou o Pentágono.

De acordo com várias testemunhas locais, pelo menos seis pessoas morreram, enquanto milhares de pessoas desesperadas tentavam fugir do país embarcando em voos de repatriação.

Paralelamente, o Departamento de Estado norte-americano pediu aos seus cidadãos no Afeganistão para que não se dirijam ao aeroporto de Cabul, e se mantenham escondidos, até instruções em contrário.

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O porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, também garantiu que continuam a ser exploradas "todas as opções" para retirar os afegãos beneficiários do programa de visto especial e suas famílias.

O Alto Representante da União Europeia (UE) para a Política Externa, Josep Borrell, e o Secretário-Geral da NATO, Jens Stoltenberg, mantiveram hoje contactos sobre as operações de evacuação do aeroporto de Cabul, segundo anunciaram através da rede social Twitter.

Vários países europeus, incluindo a Alemanha e Espanha, organizaram o envio de aviões para retirar os seus cidadãos e os afegãos com quem trabalharam nos últimos anos.

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, afirmou hoje que a Aliança Atlântica está a ajudar a garantir a segurança do aeroporto de Cabul para permitir a retirada de cidadãos ocidentais do Afeganistão face ao avanço da ofensiva talibã.

"Falei com o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, e com os ministros dos Negócios Estrangeiros dos nossos aliados Canadá, Dinamarca e Países Baixos sobre a situação no Afeganistão. A NATO está a ajudar a manter o aeroporto de Cabul aberto para facilitar e coordenar as evacuações", escreveu Stoltenberg numa breve mensagem publicada no Twitter.

Nas últimas horas, na sequência do rápido avanço da ofensiva talibã em Cabul e da anunciada entrada dos insurgentes na capital afegã, funcionários diplomáticos de vários países ocidentais, nomeadamente dos Estados Unidos (EUA), Dinamarca ou dos Países Baixos, foram transferidos com urgência para o aeroporto de Cabul ou para a área circundante.

A Alemanha também anunciou hoje que transferiu os seus funcionários da embaixada, incluindo os locais, para o aeroporto da capital afegã.

A televisão pública ZDF avançou que a chanceler alemã, Angela Merkel, vai informar os grupos parlamentares sobre a situação no Afeganistão e a retirada do pessoal da embaixada em Cabul.

Suécia e Espanha divulgaram igualmente que estão a acelerar o plano de evacuação das respetivas representações diplomáticas em Cabul.

Apesar das garantias iniciais de que só avançariam para o interior da capital afegã após uma transição pacífica de poder, os talibãs já entraram em Cabul.

Os talibãs conquistaram Cabul no domingo, culminando uma ofensiva iniciada em maio, quando começou a retirada das forças militares norte-americanas e da NATO.

As forças internacionais estavam no país desde 2001, no âmbito da ofensiva liderada pelos Estados Unidos contra o regime extremista (1996-2001), que acolhia no seu território o líder da Al-Qaida, Usama bin Laden, principal responsável pelos atentados terroristas de 11 de Setembro de 2001.

A tomada da capital põe fim a uma presença militar estrangeira de 20 anos no Afeganistão, dos Estados Unidos e dos seus aliados na NATO, incluindo Portugal.

Face à brutalidade e interpretação radical do Islão que marcou o anterior regime, os talibãs têm assegurado aos afegãos que a "vida, propriedade e honra" vão ser respeitadas e que as mulheres poderão estudar e trabalhar.

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