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Polícia da Irlanda do Norte investiga agressões em instituições femininas geridas por religiosos

Polícia da Irlanda do Norte investiga agressões em instituições femininas geridas por religiosos

A polícia da Irlanda do Norte abriu uma investigação, esta quarta-feira, sobre acusações de agressões físicas e sexuais em instituições femininas administradas pelas Igrejas católica e protestante, nas quais milhares de mulheres solteiras foram isoladas da sociedade durante várias décadas.

Esta investigação já tinha sido solicitada terça-feira por um grupo de peritos do governo da província britânica da Irlanda do Norte, vários meses após a publicação de um relatório que alertava o público para o assunto.

Agentes especialmente treinados "vão investigar as antigas alegações de agressões físicas e sexuais sofridas pelas residentes", explicou o comissário Anthony McNallu, em comunicado, lembrando que "qualquer infração detetada seria objeto de uma investigação completa".

Entre 1992 e 1990, 14 mil mulheres e adolescentes, algumas com apenas 12 anos, viviam nessas instituições na Irlanda do Norte, segundo um estudo conduzido pelo executivo regional. Entre elas, havia 10500 mulheres, incluindo vítimas de violação, que foram colocadas em instituições para mães solteiras, onde deram à luz e tiveram de entregar os seus filhos para adoção. Essas mulheres, estigmatizadas pelo dogma católico por engravidar fora do casamento, deram à luz "em condições frias e punitivas", segundo o relatório.

Também havia cerca de três mil mulheres nas "lavandarias de Madalena", estabelecimentos muito austeros onde estas mulheres "renegadas" pela Igreja tinham de trabalhar para se redimir dos seus pecados.

Na vizinha Irlanda, 56 mil mulheres solteiras e 57 mil crianças passaram por este tipo de instituições em 76 anos.

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