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Polícia prende líder de grupo radical apoiante de Bolsonaro

Polícia prende líder de grupo radical apoiante de Bolsonaro

A polícia brasileira deteve a ativista Sara Winter e fez cumprir mandados de prisão de outras cinco pessoas investigadas por participarem de atos antidemocráticos contra juízes do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília.

A detenção cumpre decisão do juiz do STF Alexandre de Moraes, que por sua vez atendeu um pedido do procurador-geral adjunto da República, Humberto Medeiros.

Moraes é relator numa investigação sobre ameaças feitas contra juízes e sobre a divulgação criminosa de notícias falsas na Internet contra autoridades do Brasil. O caso foi aberto e é investigado dentro do STF.

Já Sara Winter é chefe do grupo 300 do Brasil, que apoia o Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, e liderava um acampamento que foi desmontado por ordem do governador de Brasília no final da semana passada.

A Polícia Federal não divulgou os nomes dos outros cinco militantes contra os quais foram emitidos os mandados de prisão nem confirmou se já os localizou.

Nas manifestações citadas para justificar os mandados de prisão, algumas das quais foram assistidas pelo próprio Bolsonaro, os apoiantes defenderam o fecho do Congresso e do STF, além de defenderem uma intervenção militar no país.

Sara Winter admitiu em entrevistas, antes de ser presa, que alguns dos membros do acampamento que liderava estavam armados e defendiam uma intervenção militar para permitir que Bolsonaro governasse sem interferência do Congresso ou dos juízes do STF.

No sábado, depois de a polícia ter desmantelado o acampamento do grupo 300 do Brasil, cerca de 20 militantes invadiram um dos terraços do Congresso e dispararam fogo de artifício contra a sede do STF.

Sara Winter também é investigada noutros processos, incluindo um que investiga os autores de "notícias falsas" contra juízes e chegou a divulgar um vídeo nas redes sociais ameaçando Moraes e prometendo transformar a vida do magistrado num inferno.

Após o ataque à sede do STF, o juiz escreveu nas redes sociais que o tribunal "jamais se curvará ante agressões covardes de verdadeiras organizações criminosas financiadas por grupos antidemocraticos que desrespeitam a Constituição Federal, a Democracia e o Estado de Direito. A lei será rigorosamente aplicada e a Justiça prevalecerá".

No domingo, a Polícia Civil de Brasília prendeu outro conhecido militante que apoia Bolsonaro, Renan Sena, acusado de ser um dos membros do grupo que lançou fogos de artifício contra a sede do STF.

O ativista foi libertado porque sua prisão ocorreu no contexto de outra investigação, por ofensas contra autoridades diferentes.

Bolsonaro mantém um confronto aberto contra os poderes legislativo e judiciário, que suspenderam ou diminuirão o impacto de algumas das suas medidas mais controversas, como a autorização da venda de armas a civis.

O Presidente brasileiro também tem instigado os seus apoiantes a manifestarem-se contra as medidas de isolamento social decretadas por autoridades regionais durante a pandemia.

Na sexta-feira passada, Bolsonaro afirmou numa nota que as Forças Armadas estão "sob sua autoridade suprema", conforme a Constituição, e que "não seguem ordens absurdas", como "a tomada do poder" por parte de outros poderes baseados em "julgamentos políticos", referindo-se ações judiciais analisadas no Superior Tribunal Eleitoral (TSE) que podem prejudicá-lo.