Idaho

Polícia sem suspeitos. O mistério dos quatro estudantes esfaqueados numa casa nos EUA

Polícia sem suspeitos. O mistério dos quatro estudantes esfaqueados numa casa nos EUA

A Polícia de Idaho, nos EUA, recolheu mais de 100 indícios, segue perto de mil pistas e entrevistou mais de 150 pessoas nos últimos 10 dias, mas continua sem dados que ajudem a explicar a morte de quatro estudantes numa residência universitária na cidade norte-americana de Moscovo. Os jovens, três mulheres e um homem, foram esfaqueados com "extrema violência", aparentemente "enquanto dormiam".

A morte de três estudantes, esfaqueados "com extrema violência", segundo a médica legista, Cathy Mabbutt, na madrugada de 13 de novembro, continua sem qualquer explicação 11 dias depois do crime que sobressaltou a cidade de Moscovo, terra de 26 mil almas no Idaho, a escassos quilómetros da fronteira com o estado de Washington, no noroeste dos EUA. Ethan Chapin, 20 anos; Kaylee Goncalves, 21; Xana Kernodle, 20 e Madison Mogen, 21, foram encontrados mortos numa residência universitária. Duas outras pessoas estavam em casa quando os jovens foram mortos, mas não foram feridas ou feitas reféns.

O agressor, ou agressores, usou uma faca de grandes dimensões, "tipo rambo". A polícia lançou um alerta entre os comerciantes locais a pedir ajuda para identificar eventuais compradores de uma faca do género, das usadas por especialistas ou adeptos da sobrevivência na natureza.

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A médica legista disse que foram encontradas "feridas defensivas" entre as vítimas, sem especificar em quantas ou quais, mas o pai de Xana, Jeffrey Kernodle, revelou que a filha tinha "arranhões" no corpo. "É uma miúda dura", disse o pai da jovem a uma cadeia de televisão afiliada da CNN internacional.

"A investigação deste crime é a nossa prioridade absoluta. Devemos isso à família", disse o chefe da polícia de Moscovo, James Fry. As autoridades têm em mãos cerca de mil pistas e entrevistaram mais de 150 pessoas para tentar deslindar o crime.

"Recolhemos 103 provas individuais. Fizemos cerca de quatro mil fotografias e vários levantamentos a três dimensões da casa", disse o coronel Kedrick Wills, da polícia estadual de Idaho, força que também está a ajudar na investigação. O FBI, a agência federal de investigação norte-americana também está no terreno.

Dez dias depois do crime, não há qualquer suspeito detido. "Estamos a fazer progressos", disse Aaron Snell, diretor de comunicações da Polícia Estadual do Idaho. "Demora o seu tempo juntar as peças para ter uma ideia da cronologia dos acontecimentos e ter uma imagem clara do que aconteceu", acrescentou, em conferência de imprensa, quarta-feira ao fim do dia na costa Oeste dos EUA, madrugada de quinta-feira em Portugal continental. "As pessoas não estão a par do que apuramos porque está a decorrer uma investigação criminal. Mas garanto-vos que há muita coisa a acontecer", acrescentou.

"Estamos a avaliar todas as pistas e temos outras agências a dar-nos conta de outros casos, coisas a que vamos dar seguimento", revelou Fry, admitindo que a polícia estadual tinha sido informada de um esfaqueamento com algumas semelhanças que ocorreu em 2021 no vizinho estado do Oregon, na cidade de Salem, a mais de 600 quilómetros de Moscovo.

O crime, que continua por resolver, resultou na morte de Travis Juetten, que foi atacado, quando dormia com a companheira, Jamilyn, cerca das 3 da madrugada de 13 de agosto de 2021. O homem lutou com o agressor, mas morreu no local, enquanto a mulher, esfaqueada 19 vezes, sofreu ferimentos graves, mas sobreviveu. O crime continua por esclarecer, mais de um ano volvido. A família de Travis ofereceu uma recompensa de 50 mil dólares, sensivelmente o mesmo valor em euros, a quem ajudar a desvendar o mistério, mas até hoje o caso parece ter ficado sem solução.

Além do dia 13, as outras semelhanças entre os dois casos ficam-se pela arma do crime, uma faca, que não foi encontrada em nenhum dos homicídios, e o facto de as vítimas terem sido esfaqueadas enquanto dormiam. No quádruplo homicídio, as questões vão um pouco mais além. Segundo a médica legista, os jovens foram esfaqueados cerca das 3 da madrugada do dia 13, mas o telefonema para o 911 (o 112 do EUA) foi efetuado já perto do meio-dia.

Quando chegaram à casa, as autoridades encontraram a porta aberta e não detetaram sinais de arrombamento ou entrada forçada. Uma das portas tem um painel eletrónico com um código de segurança para abrir, que não seria difícil de descobrir.

"Era uma espécie de casa de festas" universitárias. "É provável que não fossem muito cuidadosos com o código", disse Alivea Goncalves, irmã de uma das vítimas, Kaylee, em declarações a uma televisão afiliada do canal ABC.

Alivea disse, ainda, que acedeu ao telefone da irmã e que encontrou seis chamadas para o namorado, feitas entre as 2.26 e as 2.52 horas da madrugada de dia 13. "Ele é 100% inocente. Tenho a certeza absoluta disso", defendeu a irmã da vítima.

Os telefonemas estão a ser analisados pela polícia, no âmbito da investigação, que incluiu as chamadas na cronologia da noite dos homicídio, detalhando os passos das quatro vítimas e os locais onde estiveram. Kaylee e Madison foram a uma festa na cidade e pararam numa rulote de comida a caminho de casa, antes de regressarem à residência num carro de boleias partilhadas. Segundo a polícia, o homem que as atendeu, bem como outro que estava na fila e o condutor do carro estão excluídos da lista de suspeitos.

Etthan e Xana foram a uma festa na república Sigma Chi, no campus universitário e regressaram cedo à residência. "Voltaram todos para casa antes da 1.45 horas", disse a polícia, que tornou pública a cronologia dos passos dos jovens na noite do crime.

"Fornecemos um mapa dos locais onde acreditamos que as vítimas estiveram naquela noite. Assim os residentes, caso tenham uma câmara de vigilância ou tenham estado na rua e tenham visto alguma coisa suspeita possam fornecer informações", explicou Aaron Snell, à CNN Internacional.

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