Ucrânia

Polónia pergunta à França se negociaria com Hitler ou Estaline

Polónia pergunta à França se negociaria com Hitler ou Estaline

Os governos da Polónia e da Suíça pediram, esta segunda-feira, uma investigação internacional e independente sobre os alegados crimes de guerra cometido pelas tropas russas na Ucrânia, nomeadamente na cidade de Bucha, nos arredores de Kiev.

O primeiro-ministro polaco pediu a criação de uma comissão internacional de inquérito sobre "o genocídio" cometido, segundo Mateusz Morawiecki, pelo exército russo em cidades ucranianas, incluindo Bucha.

"Esses massacres sangrentos cometidos por russos, soldados russos, merecem ser chamados pelo nome. É genocídio e deve ser julgado", disse Morawiecki aos jornalistas.

"É por isso que estamos a propor a criação de uma comissão internacional para investigar este crime de genocídio", declarou.

A criação de tal comissão é "indispensável, se quisermos saber a verdade sobre a extensão dos crimes fascistas russos", disse o primeiro-ministro polaco.

Mateusz Morawiecki também pediu novas sanções ocidentais à Rússia e comparou o presidente russo, Vladimir Putin, a ditadores sangrentos do passado.

"São necessárias sanções claras e determinadas. Essas sanções não funcionam", declarou Morawiecki, dirigindo-se em particular ao presidente francês, Emmanuel Macron.

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"Presidente Macron, quantas vezes negociou com Putin, o que conseguiu? Não debatemos, não negociamos com criminosos, os criminosos devem ser combatidos", afirmou Morawiecki.

O chefe do governo polaco disse que "ninguém negociou com Hitler", questionado Macron sobre se "negociaria com Hitler, com Estaline, com Pol Pot" e acusando certos líderes europeus de "procrastinação" e falta de clareza

"Não são as vozes dos empresários alemães, dos bilionários alemães, que provavelmente o estão a impedir de agir, que deveriam ser ouvidas em voz alta hoje em Berlim, mas as vozes dessas mulheres e crianças inocentes. As vozes daqueles que são assassinados", disse Morawiecki, dirigindo-se ao chanceler alemão, Olaf Scholz.

Também a Suíça, através de um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros declarou que as informações recebidas sobre os eventos em Bucha "levantam temores de graves violações do direito internacional humanitário" que exigem urgentemente uma investigação independente.

Berna adiantou que apoia as investigações do Tribunal Penal Internacional e outras instituições sobre possíveis violações dos direitos humanos na guerra na Ucrânia e pediu às partes em conflito que respeitem a população civil.

A França, Alemanha, Japão, Canadá, Reino Unido, Portugal, Estados Unidos, Nações Unidas e União Europeia (UE), entre outros, já condenaram os alegados crimes de guerra cometidos pelo exército russo em Bucha e noutras regiões de Kiev, defendendo que estes atos devem ser investigados.

Segundo a Procuradora-Geral da Ucrânia, Iryna Venediktova, os corpos de 410 civis foram encontrados nos territórios da região de Kiev recentemente recapturados às tropas russas.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou no domingo a Rússia de cometer "genocídio" na Ucrânia, um dia após a descoberta de vários corpos em Bucha.

O massacre também foi denunciado pela organização de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) num relatório publicado no domingo, no qual detalha casos de execuções de civis, ameaças, violações e saques supostamente cometidos por soldados russos.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que matou pelo menos 1.417 civis, incluindo 121 crianças, e feriu 2.038, entre os quais 171 menores, segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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