George Floyd

"Por favor, não consigo respirar". A morte que está a incendiar a América

"Por favor, não consigo respirar". A morte que está a incendiar a América

A morte de George Floyd voltou a encher as ruas norte-americanas com palavras de ordem contra a violência cometida contra a comunidade afro-americana. Pedem que os agentes envolvidos na detenção sejam presos. Várias personalidades juntaram-se ao protesto.

Tinha 46 anos. Durante nove minutos teve o pescoço pressionado contra o chão pelo joelho de um polícia. Pediu clemência, que não conseguia respirar. Perdeu os sentidos. Morreu numa rua de Minneapolis, no Minnesota. Esta segunda-feira. E incendiou ruas com protestos e, a somar à dele, outra morte.

George Floyd, detido por alegadamente ter tentado usar uma nota falsa de 20 dólares (18 euros), era afro-americano e tinha até publicado um vídeo dirigido aos mais jovens contra a violência e o uso de armas.

Os últimos momentos de vida ficaram gravados num vídeo perturbador, ele no chão, o agente a asfixiá-lo com o joelho, testemunhas a pedirem que pare, a dizerem que o homem ali prostrado não consegue respirar.

Foi depois de os polícias o terem tirado do carro onde seguia - alegam que resistiu à detenção e que tiveram de usar a força. Nos nove minutos em que George teve o rosto colado ao chão, algemado, outro agente, mãos na cintura, impede que quem passa se aproxime.

Outro vídeo, de uma câmara de vigilância, mostra que George não resiste à detenção e que, já algemado, segue os agentes. "Ele está a sangrar do nariz", gritam os transeuntes no primeiro registo, que indignou o país. "Não me mate", pede ele, em vão. Dizem algumas testemunhas que já não estaria vivo quando chegou a ambulância. A Polícia justifica: sofreu um "incidente médico" que o levou à morte durante uma "interação" com agentes, entretanto despedidos e investigados por eventual crime federal.

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Desde então, a reação faz-se na rua, com milhares juntos numa homenagem, pedindo justiça e a condenação dos agentes, denunciando o racismo das forças policiais. O protesto começou pacífico, mas derivou em batalha campal com a Polícia, que barricou o acesso à esquadra envolvida e atirou à multidão com balas de borracha e gás lacrimogéneo. Lojas e casas incendiadas, saqueadas, um homem morto a tiro em frente a uma delas.

Aconteceu outra vez

George era segurança num restaurante e já fora motorista de pesados. Quem o conhece repete que era querido e respeitado. Stephen Jackson, amigo e campeão da NBA em 2003, promete: "Descansa em paz, mano, vamos erguer a tua voz. Amor a todos os que têm amor por todos".

O coro de reações cresce. O presidente dos EUA fala em "acontecimento muito, muito triste", a senadora democrata negra Kamala Harris denuncia uma "execução pública". E a estrela da NBA LeBron James recupera uma t-shirt de 2014, onde se lê "Não consigo respirar".

O pedido de clemência de George foi, naquele ano, o de Eric Garner. Afro-americano, morreu à guarda da Polícia de Nova Iorque. Preso por suspeita de vender tabaco contrafeito, foi estrangulado por um agente que não seria acusado. Uma morte que daria vida ao movimento contra o racismo e a violência policial "Black lives matter" ("Vidas negras importam"). LeBron James recorda outra imagem: o jogador Colin Kaepernick ajoelhado, a recusar levantar-se para o hino nacional, em 2016. Sublinha com a pergunta "Entende agora ou ainda está confuso?"

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