Guerra na Ucrânia

Preços dos alimentos nos níveis mais altos desde sempre

Preços dos alimentos nos níveis mais altos desde sempre

Os preços globais dos alimentos atingiram em março os níveis mais altos desde sempre devido à invasão da Ucrânia pela Rússia, anunciou sexta-feira a ONU.

Os óleos de cozinha, os cereais e as carnes atingiram altas históricas nas principais bolsas mundiais de commodities, com aumentos médios de 30% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com o índice mensal de preços de alimentos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) publicado nesta sexta-feira.

O conflito interrompeu as exportações de trigo através do Mar Negro, que representa mais de um quarto da produção mundial deste cereal. A guerra provocou um aumento dos preços dos cereais de 17% no mês passado, devido ao encerramento dos portos ucranianos. Mas não foi só esta questão que permitiu esta alta de preços. As próprias exportações russas de alimentos também desaceleraram devido às sanções, que provocaram problemas financeiros e de transporte, já que as empresas russas não podem receber os pagamentos e estão impedidas de navegar em águas de países onde as sanções foram aplicadas.

Os preços mundiais do trigo subiram 19,7% em março, enquanto os preços do milho registaram um aumento mensal de 19,1%, atingindo um recorde, juntamente com os da cevada e do sorgo. A FAO diz que estes problemas irão continuar a persistir, levando a uma escalada de preços no futuro. "A alta de preços é particularmente preocupante para países que já enfrentam outras crises, incluindo conflitos, desastres naturais, condições económicas ou, como costuma ser o caso, combinações de crises", disse o porta-voz da FAO, acrescentando que países mais pobres e com escassez de alimentos terão grandes dificuldades para acompanhar os preços recorde.

Citado pelo jornal britânico "The Guardian", Joseph Glauber, especialista do International Food Policy Research Institute (IFPRI), recordou, que antes da invasão, os preços dos alimentos já estavam perto de recordes por causa de uma oferta global limitada e grande procura. "Os níveis de stock já eram baixos em relação aos últimos anos, o que significa que há pouca margem disponível para amortecer os impactos da redução das exportações provenientes do Mar Negro", explicou. O IFPRI estima que a Ucrânia e a Rússia são responsáveis por 12% das calorias comercializadas no Mundo.

Joseph Glauber refere que os países que dependiam particularmente do trigo da Rússia e da Ucrânia podem ter que mudar de fornecedor, nomeadamente os Estados Unidos, a Austrália, o Canadá, a Argentina e alguns países da União Europeia.

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A região do Mar Negro também tem sido uma fonte de preocupação devido ao corte quase total das exportações de óleo de girassol vindo da Ucrânia e a limitação das vendas fez com que os preços do óleo vegetal subisse quase um quarto desde fevereiro. Os preços dos óleos de palma, soja e colza também aumentaram devido à subida da procura.

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