Crise

Presidente interino do Peru apresenta demissão após graves confrontos

Presidente interino do Peru apresenta demissão após graves confrontos

O presidente interino do Peru, Manuel Merino, apresentou a demissão de forma "irrevogável" e pediu "paz e união", decisão que abre caminho a uma solução para a grave crise política que o país atravessa.

Manuel Merino, que estava no cargo desde 10 de novembro, anunciou a sua demissão através de uma mensagem à nação divulgada em vídeo, poucos minutos depois de o parlamento o ter desafiado a renunciar ao cargo, noticia a agência EFE.

O parlamento tinha convocado uma sessão extraordinária de forma a encontrar uma solução constitucional para a crise e encontrar um sucessor.

O presidente interino sublinhou que agiu dentro da lei para tomar posse como chefe de Estado na terça-feira, apesar das acusações de que teria executado um golpe parlamentar.

O anúncio da demissão de Manuel Merino foi recebido com entusiasmo nas ruas, onde milhares de peruanos se manifestavam e apelavam à sua saída.

No sábado, a violenta repressão das manifestações nas ruas causou dois mortos e mais de uma centena de feridos.

Vários grupos de direitos humanos relataram que 112 pessoas ficaram feridas e o paradeiro de outros 41 é desconhecido, noticia a agência AP.

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Segundo as autoridades de saúde, um dos mortos, Jack Pintado, de 22 anos, levou 11 tiros, inclusive na cabeça, e Jordan Sotelo, de 24 anos, foi atingido quatro vezes no tórax perto do coração.

Além das manifestações, uma onda de líderes políticos apelou à demissão de Merino e pelo menos 13 dos 19 ministros saíram do seu Governo recém-formado.

O presidente do parlamento pediu também que Merino renunciasse ao cargo, realçando que caso não o fizesse os deputados votariam a sua demissão.

O parlamento do Peru destituiu na segunda-feira o presidente da República, Martín Vizcarra, por "incapacidade moral", no seguimento da segunda moção de censura apresentada noutros tantos meses contra o líder daquele país sul-americano.

A moção para destituir o chefe de Estado, popular pela sua intransigência contra a corrupção, teve como motivo alegados subornos recebidos por Vizcarra em 2014, como governador.

O presidente do Parlamento, Manuel Merino, assumiu um dia depois o comando do Governo do Peru até ao final do mandato de Vizcarra, em 28 de julho de 2021. Mas o chefe de Estado interino, um engenheiro agrícola de centro-direita, de 59 anos, enfrentou deste então uma enorme contestação no país.

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