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São "nossos cidadãos para sempre". Rússia anexa regiões ucranianas e pede paz

São "nossos cidadãos para sempre". Rússia anexa regiões ucranianas e pede paz

Vladimir Putin já assinou os decretos que determinam a anexação de Donetsk, Lugansk, Zaporíjia e Kherson à Rússia. O líder russo disse, num discurso em Moscovo, que "esta é a vontade de milhões de pessoas", acrescentando que é "definitiva".

No seu discurso, o presidente russo falou dos referendos realizados na última semana. "Os resultados chegaram e os resultados são conhecidos", disse Putin. "As pessoas fizeram a sua escolha e é a escolha definitiva". O chefe de Estado declarou que "há quatro novas regiões da Rússia" e que a anexação de Donetsk, Lugansk, Zaporíjia e Kherson "é a vontade de milhões de pessoas" e é seu "direito integral", conforme declarado na carta da ONU.

O líder russo alertou o Ocidente de que, a partir de agora, as pessoas de Kherson, Donetsk, Lugansk e Zaporíjia "tornam-se nossos cidadãos para sempre".

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Putin alegou que a população da região do Donbass foi "vítima de ataques terroristas desumanos conduzidos pelo regime de Kiev" e apelou à Ucrânia que cesse imediatamente todas as ações militares e a guerra "que começaram em 2014". Kiev deve "voltar à mesa de negociações", continuou Putin. "Estamos abertos a isso e afirmámos isso muitas vezes", acrescentou, advertindo que as autoridades ucranianas devem "respeitar a expressão da vontade do povo".

"Protegeremos a nossa terra com todas as nossas forças e tudo faremos para garantir a segurança das pessoas", garantiu.

O líder russo pediu um momento de silêncio por todos aqueles que lutaram no que continua a chamar de "operação militar especial". "Todos os heróis da operação militar especial. Eles são heróis. Eles são heróis da grande Rússia".

Putin acusa Ocidente de tentar dividir Rússia

O presidente russo fez ecoar alegações anteriores de que o Ocidente está a tentar enfraquecer a Rússia. "Em 1991, o Ocidente acreditava que a URSS não voltaria. E tivemos anos terríveis nos anos 90, mas a Rússia resistiu, tornou-se mais poderosa e tomou o seu lugar merecido. Mas o Ocidente está à procura de novas oportunidades para nos atingir e sempre sonhou em dividir o nosso estado em estados mais pequenos que lutarão uns contra os outros", acusou o líder russo no seu discurso. "A Rússia é um grande país, é uma grande civilização e não vai continuar a viver sob essas falsas regras."

Putin acusou o Ocidente de ser "ganancioso" e querer que a Rússia seja uma "colónia". "Não querem ver-nos como uma sociedade livre. Querem ver-nos como uma multidão de escravos".

Mencionando as armas nucleares, o chefe de Estado disse ainda que os EUA criaram um precedente ao lançarem bombas atómicas em Hiroshima e Nagasaki durante a II Guerra Mundial.

Kremlin admite indefinição de fronteiras em Kherson e Zaporijia

O Kremlin declarou, antes do discurso de Putin, que vai ainda clarificar se a Rússia vai anexar a totalidade das regiões ucranianas de Kherson e de Zaporíjia ou apenas as partes já ocupadas. "No que diz respeito (às fronteiras) das regiões de Kherson e de Zaporijia, deve ser clarificado", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

As duas regiões de Donetsk e Lugansk devem ser totalmente anexadas.

Moscovo reconheceu a soberania dos regimes separatistas pró-russos, em fevereiro, antes de iniciar a campanha militar de invasão da Ucrânia (24 de fevereiro).

Segundo o grupo de estudos norte-americano ISW (Institute for the Study of War), consultado pela France Presse, Moscovo controla 72 por cento da região de Zaporijia e 88% da superfície de Kherson.

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