Crise

Putin reconhece independência das repúblicas separatistas

Putin reconhece independência das repúblicas separatistas

O presidente russo, Vladimir Putin, anunciou o reconhecimento da independência de Donetsk e Lugansk, repúblicas separatistas ucranianas.

O presidente russo, Vladimir Putin, anunciou, esta segunda-feira, o reconhecimento da independência dos dois territórios da região do Donbass, na Ucrânia, controlados por separatistas apoiados por Moscovo, aumentando ainda mais as tensões que o Ocidente teme possam levar a um dos maiores conflitos na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. A decisão foi anunciada por Putin, numa longa declaração televisiva, durante a qual o presidente russo pediu à Ucrânia que cesse imediatamente as "operações militares" contra os separatistas pró-Rússia.

"Acredito que é necessário tomar uma decisão muito atrasada, para reconhecer imediatamente a independência e a soberania da República Popular de Donetsk e da República Popular de Lugansk", disse Putin, antes de a televisão estatal mostrar o presidente russo a assinar acordos de ajuda mútua com líderes rebeldes no Kremlin.

A decisão de Moscovo dita o fim dos acordos de Minsk de 2015, que estipularam que os dois territórios regressariam ao controlo da Ucrânia, embora com uma autonomia reforçada.

Os dois territórios ucranianos, Donetsk e Lugansk, estão no centro do atual clima de tensão vivido na região e no Mundo nos últimos meses. Ao reconhecer a independência de Donetsk e Lugansk, o Governo da Rússia pode justificar a entrada do exército russo em território ucraniano, alegando defender as populações russas locais.

Após falar sobre a história da Ucrânia e da Rússia, o presidente russo acusou Kiev de estar a ser "controlado de fora". "A Ucrânia tornou-se numa colónia de marionetes", disse Putin. "Os ucranianos desperdiçaram não apenas tudo o que lhes demos durante a URSS, mas também tudo o que herdaram do império russo. Até a obra criada por Catarina, a Grande", apontou.

Depois de, no início desta segunda-feira, o Mundo ter suspirado de alívio com a perspetiva de uma cimeira entre os presidentes russo e dos EUA, anunciada pelo presidente francês, Putin subiu todos os tons da escala de dramatismo, alertando para o facto de a Ucrânia estar a "preparar uma ação militar" contra a Rússia.

O presidente russo apontou também baterias à NATO, dizendo que a Aliança Atlântica está a "comandar" as tropas ucranianas, sendo o verdadeiro "agressor".

Os dois territórios ucranianos, Donetsk e Lugansk, estão no centro do atual clima de tensão vivido na região e no Mundo nos últimos meses. Ao reconhecer a independência de Donetsk e Lugansk, o Governo da Rússia pode justificar a entrada do exército russo em território ucraniano, alegando defender as populações russas locais.

O líder ucraniano Volodymyr Zelensky discutiu com o presidente dos EUA, Joe Biden, o reconhecimento da Rússia . Zelensky escreveu na rede social Twitter que "discutiu os eventos das últimas horas" com o líder dos EUA e, em seguida, convocou uma reunião do conselho de segurança nacional para responder ao reconhecimento unilateral de Putin.

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Grave violação do direiro internacional
A União Europeia (UE) condenou a "grave violação" do direito internacional no reconhecimento por parte do presidente russo da independência dos territórios separatistas pró-Rússia, garantindo uma resposta ocidental "com unidade e firmeza".
"O reconhecimento dos dois territórios separatistas na Ucrânia é uma violação flagrante do direito internacional, da integridade territorial da Ucrânia e dos acordos de Minsk", reagiram os presidentes do Conselho Europeu, Charles Michel, e da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Numa mensagem publicada por ambos no Twitter, os responsáveis europeus vincaram que "a UE e os seus parceiros reagirão com unidade, firmeza e determinação em solidariedade", juntamente com os presidentes ucraniano, Volodymyr Zelensky, e norte-americano, Joe Biden.

O chefe da NATO, Jens Stoltenberg, condenou o reconhecimento da independência das duas regiões no leste da Ucrânia. "Prejudica ainda mais a soberania e a integridade territorial da Ucrânia, corrói os esforços para a resolução do conflito e viola os Acordos de Minsk, dos quais a Rússia é parte", disse, em comunicado.

Scholz e Macron desiludidos

Já antes, o Kremlin tinha assegurado que o chefe de Estado comunicou a intenção ao presidente francês Emmanuel Macron e ao chanceler alemão Olaf Scholz, que reagiram expressando "deceção".

"Um decreto nesse sentido será assinado em breve", disse a presidência russa.

De referir que, esta segunda-feira, Olaf Scholz defendeu que o reconhecimento por parte da Rússia da independência das regiões separatistas da Ucrânia representaria uma "rutura unilateral" dos acordos de Minsk de 2015.

A deliberação agora anunciada por Putin deverá resultar em sanções aplicadas pela União Europeia, tal como havia admitido o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell. "Partimos do princípio de que o Presidente Putin não o fará, mas, se o fizer, colocarei o pacote de sanções na mesa dos ministros" europeus, advertiu Josep Borrell, no final de uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE em Bruxelas.

O ministro dos Negócios Estrangeiros português afirmou que a UE está "em stand-by" relativamente à crise russo-ucraniana, vincando que eventuais sanções à Rússia serão adotadas "em reação a factos e não em prevenção".

"Temos de estar vigilantes, é assim que saímos [da reunião dos chefes da diplomacia da UE]. [...] Temos de estar em 'stand-by', prontos para ir vendo o evoluir da situação e reagir imediatamente, se for esse o caso", disse o ministro Augusto Santos Silva. "Desde logo a decisão inopinada da Rússia e Bielorrússia de prosseguirem com os exercícios militares conjuntos além do dia previsto para o seu término, que era ontem, domingo, assim desdizendo o que tinham dito há dias".

Entretanto, a ONU instou "todas as pessoas envolvidas a evitarem qualquer decisão ou ação unilateral que possa atentar contra a integridade territorial da Ucrânia", declarou o seu porta-voz, inquirido sobre um eventual reconhecimento por Moscovo da independência das regiões separatistas ucranianas de Donetsk e Lugansk. "Sublinhamos o nosso apelo para o fim imediato das hostilidades, para a máxima contenção por todas as partes, a fim de evitar qualquer ação e declaração que agrave ainda mais as tensões", disse também Stéphane Dujarric, defendendo que todos os diferendos devem "ser abordados através da diplomacia".

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