Covid-19

Sete países de Schengen fecham portas mas Portugal não

Sete países de Schengen fecham portas mas Portugal não

Governo recusa, para já, encerrar fronteira. Surto espanhol junto à raia deve mudar decisão, avisam especialistas

Sete dos 26 países que constituem o Espaço Schengen já fecharam as suas fronteiras para conter o avanço do Covid-19 e testarem medidas de confinamento das populações de forma mais acentuada. Há outros dois países que, apesar de não fecharem portas, aplicam medidas de isolamento a quem entra.

Para já, Portugal não vê necessidade de seguir a mesma fórmula e reforçar a estratégia apresentada pelo Governo ontem de madrugada, em que se inclui o fecho de todas as escolas.

Mas vários especialistas em segurança interna e proteção civil alertam que a medida deve aplicar-se assim que o surto em Espanha chegar à zona raiana. "Será uma decisão difícil de tomar? Será. Só que não haverá alternativa", apontou ao JN o antigo diretor do departamento comum de segurança do Serviço de Informações de Segurança (SIS) e do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) Francisco Rodrigues.

Longe de terem cenários graves do surto, a Áustria, Dinamarca, Eslováquia, Eslovénia, Polónia, República Checa e Suíça não esperaram por decisões concertadas e fecharam-se.

PUB

A Bélgica e Malta contam com medidas que, não sendo o encerramento, afastam qualquer um de querer entrar: quem para ali viajar fica submetido a isolamento obrigatório.

A França, que a par de Itália e de Espanha, tem números impressionantes da epidemia, propôs ontem a Bruxelas a suspensão da livre circulação. A Comissão Europeia mostrou-se contra e sugeriu em seu lugar o rastreio médico nas fronteiras.

Apesar de os portugueses estarem impedidos de entrar em 12 países, o Governo considera que não se justifica tal decisão, além da limitação à entrada no país via marítima. Se no início da semana a secretária de Estado da Administração Interna admitiu que o país está em condições de repor o controlo fronteiriço, ontem o ministro Eduardo Cabrita afastou o endurecer das medidas.

"Exceto aos cruzeiros e aos voos provenientes de Itália, não temos nenhuma justificação que fundamente o encerramento total de fronteiras", disse o ministro da Administração Interna.

Após mar e ar, falta terra

Segundo Francisco Rodrigues, "fechar ou não depende do avanço do vírus em Espanha". "Fechar as portas é uma medida última no combate a um surto pandémico interpaíses. Por mar e ar, já impusemos condicionamentos. Se os cenários de isolamento das aldeias espanholas chegarem perto de nós, temos de avançar para as fronteiras terrestres", disse.

Desde ontem, um despacho comum da Administração Interna, da Saúde e ainda das Comunicações proibiu os cruzeiros de desembarcarem passageiros - a não ser que se tratem de cidadãos nacionais. Na Madeira, o Governo Regional proibiu voos de seis países, entre os quais Espanha.

"A nossa posição estratégica tem-nos dado alguma tranquilidade. Por outro lado, temos uma galinha dos ovos de ouro que é o turismo e estamos à beira da Páscoa, em que somos inundados de espanhóis. Mas podemos, por exemplo, nas fronteiras desencadear uma vigilância médica para medir as temperaturas de quem entra", considerou José Manuel Anes, especialista em segurança interna.

Para o ex-comandante nacional operacional da Proteção Civil, José Manuel Moura, "o turismo deve ser relegado para um segundo plano quando é necessário um travão ao vírus". "Este é um processo dinâmico e fechar as fronteiras é um complemento na estratégia", concluiu.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG