Desastre

Sismo no Afeganistão mata milhares e complica cenário de crise no país

Sismo no Afeganistão mata milhares e complica cenário de crise no país

Terramoto com magnitude de 5,9 na escala de Ritcher causa mais de mil mortos e 1500 feridos. Catástrofe pode piorar situação humanitária atual.

Num país massacrado pela tragédia humanitária, a catástrofe que ontem abalou o Afeganistão poderá piorar ainda mais o cenário em que vivem mais de 38 milhões de pessoas. O sismo de 5,9 na escala de Ritcher atingiu o leste do país asiático, causando a morte de mais de mil pessoas e ferindo cerca de 1500. No entanto, as autoridades alertam que o número de vítimas irá crescer nos próximos dias.

"O número de mortos muito provavelmente irá aumentar, uma vez que algumas aldeias estão localizadas em áreas remotas, o que demorará algum tempo para as autoridades consigam lá chegar", frisou Salahuddin Ayubi, porta-voz do Ministério do Interior do Afeganistão, informando ainda que as autoridades já colocaram vários helicópteros a circular para resgatar feridos e transportá-los para unidades de saúde.

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O terramoto foi registado a cerca de 46 quilómetros da cidade de Khost, perto da fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão, segundo o Serviço Geológico dos EUA (USGS), e as autoridades temem que piore o cenário de crise que o país atravessa. Um dos principais obstáculos à ajuda das vítimas é a falta de voluntários no terreno, uma vez que muitas organizações de ajuda internacional deixaram o Afeganistão depois da tomada do país pelos talibãs, em agosto do ano passado.

Vários porta-vozes do Governo talibã pediram ajuda a organizações não-governamentais, apelando para o envio de equipas de resgate. A UNICEF respondeu ao pedido, assegurando, através das redes sociais, que vários voluntários estão no país para "distribuir artigos de assistência críticos, incluindo equipamento para cozinhar, material de higiene, roupa, sapatos e cobertores, bem como tendas e lonas".

Também Shehbaz Sharif, primeiro-ministro do Paquistão, apresentou as condolências ao país, oferecendo-se para ajudar. "As pessoas no Paquistão partilham a dor e a tristeza dos seus irmãos. Autoridades relevantes estão a trabalhar para apoiar o Afeganistão", assegurou.

Longe do caos, no Vaticano, o Papa Francisco pronunciou-se sobre a catástrofe, referindo que ia rezar pelo povo afegão. "Rezo em particular por aqueles que perderam as suas vidas", lamentou o chefe da Igreja Católica.

Propenso a desastres

O USGS referiu que o sismo, com uma magnitude de 5,9, ocorreu a uma profundidade de 10 quilómetros, pelas 4.30 horas locais (5.30 horas em Portugal Continental).

O Afeganistão é um país propenso a terramotos por estar localizado numa região tectonicamente ativa. Este tipo de catástrofes são frequentes e quando acontecem costumam causar estragos graves, tendo em conta que o Afeganistão é um país onde existem muitas áreas rurais, onde a maior parte das habitações são muito frágeis. Em janeiro deste ano, um terremoto atingiu o oeste do Afeganistão, matando mais de 20 pessoas.

119 milhões de pessoas que vivem no Afeganistão, no Paquistão e na Índia sentiram o terramoto, que foi abalou um perímetro ao longo de 500 quilómetros

Fevereiro de 1991

Nos últimos 30 anos anos, o país tem vivenciado catástrofes muito mortíferas. A 1 de fevereiro de 1991, um terremoto de magnitude 6,9 atingiu o Afeganistão e o noroeste do Paquistão, deixando pelo menos 1500 mortos.

Outubro de 2015

Mais recentemente, a 26 de outubro de 2015, um terremoto de magnitude 7,5 na escala de Ritcher atingiu a cordilheira de Hindu Kush, deixando um total de 380 mortos.

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