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Tensão entre China e Taiwan no "pior momento em quatro décadas"

Tensão entre China e Taiwan no "pior momento em quatro décadas"

Cerca de 150 aviões chineses sobrevoaram ilha com estatuto de independência desde 1949. Relações entre Taipé e Pequim vivem "o pior momento em quatro décadas".

Foi uma semana de nervos no estreito de Taiwan, com os impulsos elétricos daí emanados a deixar o mundo em alerta. No espaço de quatro dias, a China enviou cerca de 150 aviões militares para o espaço aéreo daquela ilha governada de forma autónoma desde 1949, numa demonstração de "força" que conduziu as relações entre Taipé e Pequim "ao pior momento em quatro décadas".

O equilíbrio de poder em torno de Taiwan, cuja independência não é reconhecida pela China, foi abalado e parece agora no centro do teste de força entre a China e os Estados Unidos. "Taiwan deixou de ser uma questão restrita. Tornou-se um teatro central, se não o drama central, na competição estratégica EUA-China", disse o antigo conselheiro de Barack Obama, especialista em estudos asiáticos, Evan Medeiros, citado pelo jornal norte-americano "The Washington Post".

Já ninguém duvida do poderio militar chinês, ostentado por Pequim nas últimas semanas. O ministro da Defesa de Taiwan, Chiu Kuo-cheng, salientou que Pequim já tem "a capacidade de atacar a ilha, mas a um custo elevado", que será inferior em 2025, altura em que o governante prevê que a China poderá "organizar uma invasão em grande escala".

"Taiwan não provocará um ataque. No entanto, estamos no pior momento nas relações entre as duas margens do estreito desde que comecei no exército há 40 anos", disse.

EUA treinam em segredo na ilha

Forças de operações especiais dos Estados Unidos têm treinado tropas de Taiwan em segredo há meses, disse um funcionário do Pentágono à France Presse, confirmando a notícia do "The Wall Street Journal". Segundo aquele diário norte-americano, cerca de duas dezenas de soldados americanos treinaram as forças terrestres e marítimas taiwanesas "durante pelo menos um ano", em resposta às crescentes ameaças verbais da China.

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Pequim reagiu, afirmando que os norte-americaos devem reconhecer a situação "altamente sensível" em Taiwan."Os Estados Unidos deveriam (...) cessar a venda de armas para Taiwan e as relações militares EUA-Taiwan para não prejudicar, gravemente, as relações China-EUA e a paz e estabilidade no Estreito de Taiwan", disse o porta-voz do Ministério chinês das Relações Exteriores, Zhao Lijian. "A China tomará todas as medidas necessárias para proteger sua soberania e integridade territorial", acrescentou.

O porta-voz do Pentágono, John Supple, disse que o apoio dos Estados Unidos às Forças Armadas de Taiwan é medido pelas necessidades de defesa da ilha. "As nossas relações de defesa estão de acordo com a atual ameaça representada pela República Popular da China", disse Supple, em um comunicado. "Uma causa justa gera sempre muito apoio", disse, lacónico, o primeiro-ministro do Tawain, Su Tseng-chang.

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