Covid-19

Trump quer exclusividade de potencial vacina alemã, Alemanha recusa

Trump quer exclusividade de potencial vacina alemã, Alemanha recusa

O governo da Alemanha negou, esta segunda-feira, qualquer possibilidade de os Estados Unidos adquirirem os direitos exclusivos de uma vacina contra o novo coronavírus que está a ser desenvolvida por um laboratório alemão.

A posição surge depois de, no domingo, o diário alemão "Die Welt" ter noticiado, citando fontes próximas do executivo alemão, que o presidente norte-americano, Donald Trump, estaria a tentar, com elevados incentivos financeiros, garantir o direito exclusivo de uma potencial vacina contra o coronavírus em que trabalha o laboratório alemão CureVac.

"Os nossos laboratórios estão a trabalhar para conseguir uma vacina para todos, sem exclusividades", disse a porta-voz do governo alemão, Ulrike Demmer.

O "interesse comum", frisou, é "lutar contra a pandemia" que "não conhece fronteiras", pelo que não são concebíveis restrições desse tipo.

"Descartamos completamente essa possibilidade", afirmou também uma porta-voz do Ministério da Economia alemão, cujo titular, Peter Altmeier, já tinha afirmado no domingo à imprensa alemã que "nenhum laboratório alemão se colocará à disposição" de uma tal aquisição.

O ministro do Interior, Hörst Seehofer, confirmou a notícia no domingo à noite: "Posso dizer que ouvi hoje várias vezes de membros do governo que é exata", disse, numa conferência de imprensa.

Seehofer disse ainda que a questão vai ser abordada numa reunião do gabinete de crise do Governo alemão prevista para esta segunda-feira.

A intenção de Trump foi também criticada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Heiko Maas, que, assegurando que os cientistas alemães "lideram no desenvolvimento de medicamentos e vacinas em cooperações a nível global", Berlim "não pode permitir que outros queiram assegurar em exclusividade o resultado das investigações".

Maas disse ainda ter falado sobre o assunto com os homólogos do Canadá, Coreia do Sul, Brasil e Austrália e pretender abordá-lo com os países do G-7. "Só conseguiremos combater este vírus juntos, não uns contra os outros", disse.

O laboratório CureVac, com sede no sudoeste da Alemanha e associado a um instituto científico tutelado pelo Ministério da Saúde, recusou comentar a notícia, mas "negou categoricamente" num comunicado "afirmações sobre a venda da empresa ou da sua tecnologia".

O laboratório, que trabalha no desenvolvimento da vacina com financiamento do Governo alemão, afirmou estar "a alguns meses" de apresentar um projeto para validação.

Um representante do governo dos Estados Unidos, citado no domingo pela agência AFP, disse que a questão foi "grandemente exagerada".

O representante, que pediu anonimato, disse que o Governo norte-americano contactou mais de 25 laboratórios que afirmam poder desenvolver uma vacina e assegurou que "qualquer solução que venha a ser encontrada seria partilhada com o resto do mundo".

Segundo um comunicado do laboratório, também citado pela AFP, o presidente do Conselho de Administração da CureVac foi convidado pelo presidente norte-americano a ir a Washington, a 3 de março, para discutir na Casa Branca "estratégias e oportunidades para um desenvolvimento rápido de uma vacina" contra o Covid-19.

Uma semana depois, a CureVac anuncia a saída da empresa do presidente do Conselho de Administração, sem adiantar as razões.

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