Defesa

Trump zangado com troça mas feliz com gasto militar

Trump zangado com troça mas feliz com gasto militar

Donald Trump deixou Londres agastado com a troça de alguns dos seus pares e nem a habitual conferência de Imprensa final deu, mas deixou a cimeira dos 29 países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO, no acrónimo em inglês) satisfeito, porque os aliados estão a aumentar as despesas militares, como exige desde que é presidente dos Estados Unidos.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, anfitrião da reunião, tentou desvalorizar o "disparate". Mas Trump foi duro com o vizinho canadiano, Justin Trudeau, chamando-lhe (em comentário com jornalistas) "hipócrita". Assim: "Tem duas caras, é bom tipo?, mas é assim que ele é".

O primeiro-ministro canadiano, à conversa com os seus colegas britânico e holandês, Mark Rutte, e o Presidente francês, Emannuel Macron, comentara - segundo um vídeo de uma televisão canadiana - que Trump faz conferências de Imprensa "muito longas". Tanto que os assessores norte-americanos estavam "de queixo caído" com os 40 minutos que levava a primeira que fez na cimeira.

Bulgária rearma-se

Trump não gostou e cancelou a conferência. Afinal, já deu "muitas nos últimos dois dias", escreveu no Twitter, antes de deixar Londres, onde voltou a exigir que os todos membros da Aliança Atlântica contribuam para o esforço militar comum, gastando 2% do produto interno bruto (PIB) em defesa. Está, aliás, satisfeito. "Muita gente está a fornecer muito dinheiro", disse o presidente do país que é o maior fornecedor de armas.

Embora a meta dos 2% só tenha de ser atingida em 2024, nove dos 29 aliados estão a cumpri-la e cinco excedem-na, com os Estados Unidos na dianteira, com 3,42% do seu PIB estimado para este ano. Segue-se a Bulgária (3,25%), mais que duplicando o seu esforço, com um crescimento de 127,17% em relação a 2018.

A Bulgária é aliás o país que excede largamente a outra meta da organização - a aplicação de 20% dos orçamentos de defesa nacionais em equipamentos militares. Neste ano, dedica ao rearmamento 59% do bolo global.

A declaração final da cimeira enfatiza os avanços, sinalizando que os países extra-Estados Unidos (o que mais investe em defesa, com mais de 730 mil milhões de dólares) aumentaram em mais de 130 mil milhões de dólares as suas despesas militares nos últimos cinco anos.

Segundo o mais recente comunicado sobre despesas de defesa nos 29 membros, referido a 21 de novembro, a estimativa total, na NATO, para o ano em curso é de mais de um milhão de milhões de dólares. Trata-se de um aumento de 6,9%, traduzido num acréscimo de 67.742 milhões. Os EUA são o maior exportador mundial de armas.

"Ameaça" da Rússia

A Aliança, que se diz "totalmente comprometida com o fortalecimento do controlo, desarmamento e a não proliferação de armas", aprovou os seus novos planos militares para os três países bálticos (Estónia, Letónia e Lituânia) e a Polónia, isto é, na região fronteiriça com a Rússia.

"As ações agressivas da Rússia constituem uma ameaça para a segurança euro-atlântica", afirma a declaração final da reunião, sem desenvolver o tema, ao qual acrescenta a preocupação com os novos mísseis de alcance intermédio.

Quanto à China, dizem os 29: "Estamos conscientes de que a influência crescente e as políticas internacionais da China apresentam, ao mesmo tempo, oportunidades e desafios aos quais devemos responder em conjunto, enquanto Aliança".