Democracia

"Tsunami democrático". Conheça o grupo que a secreta espanhola quer apanhar

"Tsunami democrático". Conheça o grupo que a secreta espanhola quer apanhar

As imagens que nos chegam do aeroporto de Barcelona nos últimos dias podem não ter sido espontâneas. Por detrás dos bloqueios de estradas e ruas está um grupo intitulado "Tsunami Democrático", que apela a ações de desobediência civil, sem violência, a favor da independência da Catalunha. Conheça mais sobre este movimento.

Após a decisão do Supremo Tribunal espanhol, esta segunda-feira, da condenação de nove políticos a penas de prisão até 13 anos na tentativa de independência da Catalunha, os manifestantes voltaram-se novamente para as ruas. Os ânimos incendiaram em Barcelona com um bloqueio ao aeroporto da cidade e congestionamento de ruas e estradas da Catalunha. Por detrás de todas estas ações estará o grupo "Tsunami Democrático", criado em setembro deste ano.

Qual a primeira aparição pública do movimento?

A tecnologia trouxe a público o "Tsunami Democrático" através de um vídeo publicado a 2 de setembro deste ano nas redes sociais. Nas imagens é possível ver ações de protestos pró independentistas, que surgiram após a detenção de vários dirigentes da Catalunha, e também a imagem de uma panela com água a ferver.

No vídeo, com quase dois minutos de duração, o "Tsunami Democrático" apela a que as pessoas "participem" e "mudem o estado das coisas".

A primeira mensagem nas redes sociais é feita às 9.12 horas.

O que é que pretendem?

Através de contactos em aplicações como o Telegram (semelhante ao Whatsapp) e de uma aplicação própria, desenvolvida pelo movimento, o grupo planeia as ações de desobediência civil, sem recurso à violência, com vista a bloquear as principais artérias da Catalunha em protestos e ações de rua. Parte do descontentamento prende-se com a sentença dos líderes catalães e também o direito que reivindicam pela autodeterminação da região.

Através do site que disponibilizam na Internet, o grupo fornece vários documentos sobre como atuar perante uma detenção, situações de excesso e violência policial e restrições ao trânsito de veículo e pessoas na via pública. Todas as mensagens são encriptadas.

Quem fundou e quem faz parte do "Tsunami"?

Os fundadores e membros do "Tsunami" permanecem anónimos. No entanto, a polícia espanhola está a investigar um possível envolvimento de Quim Torra, presidente do Governo regional da Catalunha, e Carles Puigdemont, o seu antecessor, agora exilado em Bruxelas. O grupo poderá ter nascido após uma reunião de vários dirigentes catalães em Genebra, na Suíça.

Após a primeira publicação deste movimento nas redes sociais, vários líderes independentistas partilharam o conteúdo nas suas redes sociais, mostrando assim o seu alinhamento com a causa.

O Ministério do Interior de Espanha estará agora a investigar quem faz parte do "Tsunami Democrático" e os serviços secretos do país estão também envolvidos na investigação.

Como funciona a entrada no grupo?

Para conhecer as futuras ações do "Tsunami Democrático", o mais fácil será tentar instalar a aplicação desenvolvida para o efeito. É nesta aplicação que se conhecem os horários, as funções de cada pessoa em determinado protesto e a presença ou não de autoridades no local.

Porém, a entrada na aplicação não é fácil. Para terem total confiança nas pessoas que são admitidas na aplicação, o grupo depende a admissão de um código fornecido por "alguém de confiança". Os dados pessoais estão obviamente na "mira" dos mais céticos. O "Tsunami Democrático" já revelou o acesso é anónimo e privado.

A aplicação tem duas versões: uma para Android e outra para dispositivos mais antigos. O site do "Tsunami" está registado na ilha de São Cristóvão e Neves, nas Caraíbas.

Qual foi a ação maior do "Tsunami"?

A maior ação do grupo terá sido o bloqueio do aeroporto El Prat, em Barcelona, na passada segunda-feira. Através da utilização de bilhetes de avião falsos, os protestantes conseguiram enganar a segurança do aeroporto e passar as primeiras barreiras de segurança. As imagens mostram um aeroporto repleto de pessoas prontas a contestar a condenação de nove políticos catalães.

Outra tomada de posição pública que colocou o "Tsunami Democrático" nas bocas do mundo foi Pepe Guardiola, treinador espanhol, que leu um comunicado do grupo. "Exigimos que o Governo espanhol encontre uma solução política e democrática. O que pedimos é: 'Espanha, senta-te e fala'», disse em vídeo.

O que dizem os números nas redes sociais?

Embora a contestação more nas ruas, o "Tsunami Democrático" tem aguentado firme nas redes sociais, nomeadamente no Twitter e no Instagram. Em ambas as plataformas reúne mais de 100 mil seguidores. Mais de 15 mil pessoas aderiram à aplicação que desenvolveram e 270 mil estão ligadas pelo serviço de mensagens instantâneas, o Telegram.

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