Animais

Tubarões atacados por peixe-espada em Espanha

Tubarões atacados por peixe-espada em Espanha

Um tubarão azul foi encontrado morto numa praia em Benidorm, Espanha, devido a um ataque de um peixe-espada. Cientistas revelam que os ataques têm acontecido cada vez mais, mas ainda não conseguem explicar por que razão estes peixes estão a atacar tubarões azuis.

Segundo o jornal espanhol "El País", uma equipa do "Oceanogràfic", um oceanário em Valência, resgatou um tubarão azul da costa espanhol, tendo sido devolvido ao mar depois de terem verificado se o animal estava bem de saúde. O tubarão-azul foi encontrado morto, dias depois, com um ferimento na pálpebra, algo que é compatível com um ataque de um peixe-espada.

Este não é o primeiro ataque de um peixe-espada a um tubarão. De acordo com dados científicos, este tipo de ataques começaram em Valência em 2016, quando um tubarão foi encontrado a morrer numa praia em Espanha. Os cientistas detetaram um fragmento de peixe-espada de 18 centímetros no cérebro do animal. "A espada perfurou completamente e partiu o cérebro do tubarão em dois", referiu Jaime Penadés, um investigador da Unidade de Zoologia Marinha da Universidade de Valência.

Jaime Penadés publicou, na altura, um estudo sobre a autópsia do tubarão, algo que serviu como alerta para a comunidade científica averiguar se havia mais ataques deste género. A Itália e a Líbia foram dos países que reportaram alguns casos semelhantes.

O grupo de investigação de Jaime Penadés conseguiu detetar mais cinco incidentes em tubarões, até junho de 2019. Estes ataques apresentaram o mesmo padrão dos anteriores, sendo que acontecem "na cabeça, o que revela uma intencionalidade por parte do peixe-espada, por isso, não é um ataque aleatório", referiu o investigador, acrescentando que o ataque também foi "muito preciso porque vai para os olhos ou para o cérebro, que são estruturas vitais".

Porém, o grupo de investigadores não consegue saber se também é comum este tipo de ataques acontecer noutras partes do corpo do tubarão e se se trata de uma agressão proativa ou de uma ação de autodefesa por parte do peixe-espada.

Àlex Bartolí, um biólogo da organização para a conservação da biodiversidade marinha (SUBMON), não segue a mesma perspetiva de Jaime Penadés. Para o biólogo, os ataques são acidentais. "Dentro dos cardumes, todos os predadores estão a tentar apanhar o que podem e o peixe-espada move a sua espada para atingir os peixes pequenos e, uma vez atordoados, já os consegue comer. Nesse redemoinho, os predadores passam em alta velocidade e criam-se colisões", referiu o biólogo.

PUB

Segundo o investigador, os peixes-espada não são considerados animais que lutam pelo mesmo habitat, uma vez que são espécies migratórias e também não são espécies que atacariam para se alimentarem do tubarão, mas aponta que a amostra dos casos é pequena para ter a certeza da razão para acontecerem estes ataques.

Jaime Penadés revelou ainda que "até agora ninguém tinha olhado para este tipo de ataques", o que faz haver um aumento no número de registo dos ataques a tubarões. A ciência apenas tinha detetado casos semelhantes em tartarugas, baleias ou em pequenos barcos. Os ataques a tubarões apenas apareciam em alguns livros, nomeadamente em histórias de pescadores.

"Esse conhecimento mais tradicional diz-nos que os pescadores já haviam encontrado um tubarão que tinha uma espada enfiada na cabeça. Os cientistas estão muito aquém do conhecimento popular, o que faz termos de nos aproximar mais dos pescadores", revelou Jaime Penadés.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG