Ucrânia

UE rejeita argumentos da Ucrânia para não assinar acordo de associação

UE rejeita argumentos da Ucrânia para não assinar acordo de associação

O comissário europeu para o Alargamento, Stefan Fule, rejeitou, esta quinta-feira, os argumentos sobre os elevados custos para a economia ucraniana apresentados pelas autoridades de Kiev para não assinarem o acordo de associação com a União Europeia

"As alusões aos eventuais enormes prejuízos para a economia ucraniana são infundadas e pouco convincentes", afirmou Stefan Fule, em declarações à agência russa Interfax, antes do início em Vilnius, Lituânia, da cimeira da Parceria Oriental da UE.

O comissário europeu admitiu ter dúvidas sobre a veracidade dos dados sobre os prejuízos que poderão provocar as medidas protecionistas que a Rússia ameaça impor se Kiev avançar com o acordo com os 28 Estados-membros.

"Ultimamente deparei-me com muitos números fantasiosos que interpretei como um sinal de pânico. Já no primeiro ano da aplicação preliminar do acordo de livre comércio, os exportadores ucranianos pouparam em taxas 500 milhões de euros e o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 6,2% a longo prazo", salientou o representante comunitário.

Na semana passada, o governo da Ucrânia decidiu inesperadamente renunciar à assinatura de um acordo de associação e de um acordo de comércio livre com a UE.

A oposição acusou o governo de ter cedido à pressão da Rússia, que tinha claramente advertido Kiev das consequências comerciais de um acordo com a UE.

O primeiro-ministro ucraniano, Mykola Azarov, qualificou como "uma esmola para um mendigo" os 1000 milhões de euros de compensação que a UE ofereceu a Kiev.

Por sua vez, o presidente ucraniano, Viktor Ianoukovitch, afirmou, na terça-feira, que o país iria esperar por melhores condições antes de considerar uma eventual assinatura de um acordo.

"Assim que atingirmos um nível que seja confortável para nós, quando coincidir com os nossos interesses, quando concordarmos sobre as condições normais, então poderemos falar da assinatura" do documento, disse então o chefe de Estado ucraniano, numa entrevista transmitida pelos canais de televisão do país.

O presidente ucraniano acusou a UE de usar esta oferta como um "rebuçado" para persuadir a Ucrânia a assinar um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), impondo uma subida dos preços do gás e do aquecimento para a população ucraniana e o congelamento dos salários e das pensões em troca de um empréstimo de 610 milhões de euros.

"Não seremos humilhados desta maneira. Somos um país sério, um país europeu (...). Nunca o aceitaria", sublinhou na mesma altura o líder ucraniano.

O comissário europeu recordou hoje que "a UE é a maior fonte de ajuda internacional técnica e financeira da Ucrânia".

"Desde a independência em 1991, a UE apoiou as reformas e a modernização da Ucrânia, ao atribuir ao país mais de 3.300 milhões de euros em subsídios", destacou Stefan Fule.

O comissário acrescentou ainda que o Banco Europeu de Investimento e o Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento concederam a Kiev 10500 milhões de euros em créditos, sem contar com a assistência bilateral dos Estados-membros.

A assinatura do acordo estava prevista para a cimeira da Parceria Oriental da UE, que decorre na capital lituana até sexta-feira.

A recusa das autoridades de Kiev tem gerado vários protestos pró-europeus, alguns degeneram em confrontos.

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