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União Europeia promete impor ainda mais sanções contra a Rússia

União Europeia promete impor ainda mais sanções contra a Rússia

Presidentes da Comissão e do Parlamento Europeu unidas contra a compra de gás russo. Terceira ronda de negociações abre caminho à criação, esta terca-feira, de corredores humanitários.

As instituições europeias defenderam a imposição de mais sanções contra a Rússia, nomeadamente ao nível da compra de gás. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, revelou estar a preparar um "novo pacote de sanções", com a presidente do Parlamento Europeu (PE), Roberta Metsola, a prometer novidades "nas próximas horas e dias". Esta segunda-feira, a terceira ronda de negociações entre russos e ucranianos terminou com "alguns resultados positivos", com as duas delegações a concordarem na criação de corredores humanitários já a partir de terça.

Ursula von der Leyen anunciou estar "a trabalhar neste momento" em novas sanções contra a Rússia, com o objetivo de punir a "guerra atroz" conduzida pelo presidente Vladimir Putin. Uma decisão motivada pela "negligência do Kremlin em relação aos civis" na Ucrânia, frisou, aludindo à tentativa falhada de criação de um corredor humanitário em Mariupol.

"Como sabem, já temos [em vigor] três pacotes de sanções de grande impacto. Mas, agora, temos que nos certificar de que não existem lacunas e que os efeitos das sanções são maximizados", afirmou a presidente da Comissão, em Bruxelas.

Segundo von der Leyen, as sanções já aplicadas "estão realmente a "morder"" o Kremlin, uma realidade comprovada pela "turbulência descendente na economia russa".

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Também Roberta Metsola defendeu a necessidade de a União tomar "medidas difíceis" o quanto antes. "Não podemos continuar a financiar esta guerra com os nossos pagamentos", afirmou a presidente do PE, exortando ainda o Kremlin a parar de "intimidar" os russos que têm protestado contra a guerra e a "libertar imediatamente os que foram detidos".

"Eles também podem causar pressão à Rússia", justificou, num seminário que contou com a presença de três deputadas ucranianas. Os eurodeputados debatem esta terça-feira a questão energética.

Quarta ronda "brevemente"

À terceira ronda de negociações entre Rússia e Ucrânia houve, finalmente, progressos. "Alcançámos alguns resultados positivos no que diz respeito à logística dos corredores humanitários", escreveu Mykhailo Podoliak, assessor da presidência ucraniana, no Twitter. "Será dada ajuda mais eficaz às pessoas que sofrem com a agressão da Rússia", acrescentou.

Sobre outras questões fundamentais, como as relativas a um cessar-fogo, Podoliak lamentou que, "até ao momento, não haja resultados que possam melhorar a situação". Assim, os "diálogos intensivos" irão prosseguir.

Do lado russo, chegou a informação de que uma quarta ronda de negociações deverá ocorrer "muito brevemente". Citado pelo "The Telegraph", um dos negociadores adiantou que a data "vai ser determinada talvez amanhã [terça]".

A Rússia confirmou as informações ucranianas sobre os corredores aéreos: "Dissemos claramente que esperamos que amanhã [terça] os corredores comecem finalmente a funcionar e o lado ucraniano deu-nos garantias disso", afirmou o chefe da delegação, Vladimir Medinsky.

Mas, em tudo o resto, a reunião "não correspondeu às expectativas", referiu. Segundo fonte do Governo russo, citada pelo "Le Monde", a partir das 7 horas de terça-feira (mais duas na Ucrânia) haverá um cessar-fogo para evacuar pessoas de Kiev, Mariupol, Kharkiv, Sumy e Chernihiv.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, rejeitou hoje a proposta do Kremlin de parar com a ofensiva em troca de garantias de que a Ucrânia não adere à NATO, reconhece a Crimeia como território russo e aceita a independência de Donetsk e Lugansk. "Este é outro ultimato e não estamos preparados para ultimatos", disse o chefe de Estado, em entrevista à americana ABC. A ONU anunciou que a guerra já afetou pelo menos 1207 civis - 406 mortos e 801 feridos.

Estrada "minada" impede retirada de civis de Mariupol

O Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) esclareceu que a retirada de civis de Mariupol, no Sudeste da Ucrânia, falhou devido às hostilidades e à falta de acordo sobre uma rota segura.

"O pessoal do CICV, as suas famílias e outros civis não puderam deixar Mariupol, porque não há nenhum acordo sobre rotas seguras para abandonar a cidade e porque foram retomadas as hostilidades", adiantou um porta-voz do organismo, acrescentando que a rota proposta pela Rússia passava "por uma estrada minada".

Os russos também sugeriram a criação de quatro corredores humanitários com destino à Rússia e à Bielorrússia, solução apelidada de "imoral" por um porta-voz do presidente Zelensky.

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