U21955

Unidade secreta russa usou base nos Alpes para ataques na Europa

Unidade secreta russa usou base nos Alpes para ataques na Europa

Chamonix, palco de uma famosa cena de um filme de James Bond, é uma das três localidades alpinas em que se refugiaram cerca de 15 elementos de uma unidade secreta russa, perita em "subversão, ataques à bomba e assassinatos" na Europa.

Segundo o jornal "Le Monde", os serviços secretos franceses, suíços, britânicos e norte-americanos fizeram uma lista de 15 elementos da unidade 29155, perita em "subversão, ataques à bomba e assassinatos" na Europa, que passaram por um esconderijo na Alta Sabóia, um território nos Alpes franceses, perto da fronteira com a Suíça e a Itália.

Provenientes de cidades como Londres, Moscovo ou Genebra, e de vários pontos de Espanha, os elementos usaram aquela base entre 2015 e finais de 2018, passando por cidades como Evian, Annemasse e Chamonix.

"A hipótese mais provável é considerar a Alta Sabóia como uma base de retaguarda para as operações clandestinas da unidade 21955 na Europa", disse um oficial dos serviços secretos franceses, citado pelo "Le Monde".

A unidade 21955 é uma célula secreta russa do Departamento Central de Inteligência, a agência central dos serviços secretos russos (conhecido como GRU, na sigla anglo-saxónica). O grupo foi identificado pela primeira vez em 2016, após a interferência num golpe de estado falhado no Montenegro, mas só dois anos depois, com a tentativa de assassinato de Sergei Skripal, em Inglaterra, os serviços de informação ocidentais ligaram os pontos e perceberam que havia uma relação entre estas ações, atribuídas àquela unidade.

Entre os espiões russos que terão usado os Alpes franceses como uma base de retaguarda estão dois dos suspeitos do envenenamento do ex-agente do GRU Serguei Skripal, em Salisbury, Inglaterra, em março de 2018: Alexander Petrov e Ruslan Boshirov, nomes falsos de dois agentes do GRU, acusados pelo ataque, cujo mentor foi identificado como Serguei Fedotov.

Ainda segundo o "Le Monde", um quarto espião ligado à tentativa de assassinato de Skripal, e que também passou pela "base" dos Alpes, Serguei Pavlov, foi identificado no Reino Unido, em 2017, pelo MI6, os serviços secretos britânicos.

Os serviços secretos ocidentais não encontraram material ou armas deixadas para trás durante a estada dos espiões em França, mas rastrearam a presença dos agentes secretos pelo que comeram, pelos locais onde ficaram instalados e pelas compras que fizeram.

Merkel ordena expulsão de dois diplomatas russos

Esta revelação surgiu após a Alemanha expulsar dois diplomatas russos, respaldada numa investigação judicial que concluiu "haver provas factuais suficientes" de uma ligação entre Moscovo e a morte de um antigo rebelde checheno, Zelimkhan Khangoshvili, em Berlim, em agosto.

Na quarta-feira, Angela Merkel convocou o embaixador russo na Alemanha e ordenou a saída do país, no prazo de sete dias, de dois funcionários da embaixada da Rússia. São suspeitos de pertencer aos serviços secretos russos.

Segundo o Ministério germânico dos Negócios Estrangeiros, foram considerados "persona non grata" na Alemanha em protesto contra a falta de cooperação da Rússia na investigação ao assassinato de Zelimkhan Khangoshvili.

O suspeito do ataque foi capturado pela polícia quando estava a tentar livrar-se da arma no rio Spree. Tinha um passaporte russo e foi identificado como Vadim Sokolov, que os procuradores alemães acreditam ser um nome falso.

Partido diz que é o "regresso da Guerra Fria"

Um deputado do partido de Merkel, a CDU, descreveu o caso da morte do agente checheno como "o regresso da Guerra Fria", um período histórico, entre o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, e a queda do Muro de Berlim, em 1989, marcado por disputas estratégicas entre a Rússia e o Ocidente, com os EUA à cabeça. Um conflito global, da sociedade à economia e à cultura, em que esteve sempre presente o risco de uma guerra nuclear entre russos e americanos.

"A Alemanha tem muito a fazer e a melhorar se um país estrangeiro pode ordenar um assassínio em solo germânico", disse o deputado da CDU, Armin Schuster, em declarações ao jornal alemão "Bild", a propósito do assassinato do agente checheno em Berlim.

Segundo os serviços secretos franceses e britânicos, o assassinato "foi ordenado pelo regime checheno pró-russo de Ramzan Kadyrov e teve apoio logístico do Estado russo."

O autor do crime entrou na Alemanha a 29 de julho, com um visto de emergência atribuído pela França, que refuta as acusações de negligência.

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