Numa breve passagem pelo Porto, onde estará durante dois dias a discursar em conferências sobre a condição da mulher no Nepal, a ativista Radha Paudel esteve à conversa com o JN. Emocionada e esperançosa pela mudança.

Entrevista

Radha Paudel: "Penso sempre em salvar uma menina. Apenas uma menina"

Radha Paudel: "Penso sempre em salvar uma menina. Apenas uma menina"

Radha tinha 14 anos quando fugiu ao destino de nascer mulher num Nepal pobre e tradicional. Desde os sete que sabia de cor como eram tratadas as mulheres da família durante o ciclo menstrual. Viu todas as irmãs serem depositadas em abrigos de vaca para não contagiarem a casa com o "sangue sujo, impuro, contaminado" com que a Natureza as brindou e que a "ignorância e a tradição" castigaram. Quando lhe veio o período pela primeira vez, fugiu.

A ativista vai ser a oradora principal de duas conferências, que terão lugar na Reitoria da U. Porto, às 15.30 horas deste sábado, e na Casa de Allen, às 17 horas de domingo. A primeira sessão contará com a presença do Reitor da Universidade, Sebastião Feyo de Azevedo, e da Cônsul do Nepal em Portugal, Maria Teresa Cruz, e é organizada por um grupo de "Amigos Solidários" de Radha Paudel que, num curto espaço de tempo, fez mover mundos e fundos para trazer a ativista a Portugal.

O movimento surgiu na sequência de um trabalho publicado pelo Jornal de Notícias, intitulado "Sangue Sujo". A conferência tem o apoio do GRAAL - Movimento Internacional de Mulheres Cristãs e do G.A.S. Porto - Grupo de Ação Social do Porto, e está aberta à comunidade em geral.

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