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Registados 54 casos de violência doméstica por dia em Portugal

Registados 54 casos de violência doméstica por dia em Portugal

Em 2021, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) registou uma média diária de 54 crimes de violência doméstica. Na maioria, os casos foram denunciados pela própria vítima, que era mulher. Mas nem metade apresentou queixa nas autoridades.

Nada mudou na realidade nacional no que toca à violência doméstica. Segundo o relatório da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), relativo ao ano passado, foram registados 25.839 crimes, uma média de 70,7 por dia. A maioria dos quais, 76,8%, referiam-se a casos de violência doméstica, em concreto um total de 19.846 casos, o que se traduziu numa média diária de 54,3 casos.

Assim, a maioria dos crimes continua a ser contra pessoas, concretizados num ambiente íntimo, uma vez que é em casa e o agressor é ou o cônjuge ou similar. Mantém-se também a situação de a maioria das vítimas não denunciar os casos às autoridades.

"As relações entre autor e vítima de crime são comummente pautadas por relações de intimidade, como é o caso da conjugalidade (15,5%), da relação entre companheiros (8,5%), de ex-cônjuges (3,2%), relações entre ex-companheiros (7,5%), de ex-namorados (3,5%) e de namorados (1,7%), especifica a APAV.

Num ano em que a APAV fez um total de 75.445 atendimentos e apoiou diretamente 15.617 pessoas, 9.148 das quais eram vítimas do sexo feminino. Por dia, foram apoiadas 25 mulheres vítimas de violência. Apesar de se ter registado um aumento de 1% no número de vítimas do sexo masculino (total de 1.842), as crianças ainda se encontram em maior dimensão. Foram apoiados 1.959 menores, no ano passado, vítimas de violência.

O relatório da APAV revela ainda que as vítimas são oriundas de 286 concelhos, ou seja, cobrem 93% do território nacional, 78% são mulheres, têm uma média de 40 anos e ensino superior.

"Estes números refletem a abrangente presença da APAV no território nacional assim como a diversidade nos diferentes tipos de crime cujas vítimas a APAV apoia - em 2021 são mais de 60 os crimes e outras situações identificadas pelos vários Serviços de Proximidade", considera a associação, no referido relatório.

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Já os autores dos crimes são do sexo masculino, representando 60,9% (8.167) de um total de 13.413. A maioria tem entre 25 e 54 anos e, tal como as vítimas, possui ensino superior. "O local do crime mais referenciado por quem procurou a APAV em 2021 foi a residência comum (49,4%), seguido da residência da vítima (15,9%), especifica ainda a associação.

"Durante 2021, a APAV atendeu, por semana, uma média de 175 mulheres, 38 crianças, 35 homens e 31 pessoas idosas. Entre todos os crimes e outras situações de violência registadas pelos vários Serviços de Proximidade da APAV, os crimes contra as pessoas representam mais de 90% do total; sintetiza ainda a associação.

A associação também constata que a maioria das vítimas continua a não apresentar queixa nas autoridades. "Das situações de violência que chegaram à APAV no ano de 2021, cerca de 46% (6.067) efetuaram queixa/denúncia numa entidade policial", revela ainda a associação, destacando, contudo, que se trata de um número que tem vindo a subir, uma vez que, em 2019, apenas 41% das vítimas denunciaram formalmente a situação.

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