Presidenciais

Abstenção fecha nos 60,5%, a mais alta em presidenciais

Abstenção fecha nos 60,5%, a mais alta em presidenciais

Percentagem aumenta muito por efeito do recenseamento automático no estrangeiro, onde a abstenção chegou aos 98%, apesar de votantes terem duplicado. Interior regista as maiores taxas.

Como esperado, mas abaixo do esperado, registou-se a taxa de abstenção mais alta de sempre em presidenciais: 60,51%. Superior só nas eleições europeias. Muito por efeito da taxa registada no estrangeiro, de 98,13% - mesmo assim, com o dobro de votantes face a 2016, por via do recenseamento automático que somou mais 1,2 milhões de eleitores. Olhando o território nacional, a abstenção fechou nos 54,55%. Com maior expressão no interior.

Feitas as contas (dados à meia-noite), votaram em Portugal menos 493 mil eleitores do que no sufrágio de há cinco anos. Sendo que ontem contavam-se menos 125 mil eleitores. Menos do que o esperado, explica ao JN Carlos Jalali, professor de Ciência Política da Universidade de Aveiro. Isto porque nas recandidaturas presidenciais - excetuando a de Ramalho Eanes - a abstenção aumenta sempre, com uma média, precisa, de menos um milhão de votantes. "Neste caso, temos uma diminuição menor, na casa dos 450 mil".

O que "mostra o interesse dos cidadãos nas eleições, apesar do contexto pandémico". Admitindo o politólogo a hipótese de, "porventura, a pandemia ter gerado mais interesse na política". Tratando-se de uma recandidatura e com o atual contexto sanitário, "é um sinal de cidadania que é dado".

Bragança no topo

Olhando para o mapa do país, a abstenção ficou acima dos 60% no interior, com Bragança a registar a maior percentagem de não votantes: 66,72% (ver tabela ao lado). Segue-se Vila Real e Viseu. Em sentido inverso, Lisboa, Braga e Porto registaram maior adesão.
Fenómeno que merece, afirma Carlos Jalali, análise. Primeira explicação: a pandemia, com populações mais envelhecidas e onde o "receio de deslocação" seria maior. A que juntam dois pontos estruturais.

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Por um lado, diz o professor, a "baixa taxa de densidade populacional torna o custo de votar mais alto porque as distâncias são maiores". Depois, uma questão mais profunda: "Até que ponto não é sinal de distância das populações face ao processo político?". Processo este litoralizado, com "um discurso centrado onde estão mais votantes".
Numa leitura mais fina, nos concelhos com mais eleitores, Lisboa registou a abstenção mais baixa - 46,66% -, tendo o Porto ficado nos 47,49%. Braga registou uma taxa de 48,86% e Vila Nova de Gaia de 51,39%.

Olhar os emigrantes

Com taxas de abstenção no estrangeiro nas duas últimas presidenciais na casa dos 95%, a presente fica marcada: 98,13% (por apurar três consulados). Mas, apesar de elevada, o número de votantes duplicou para os 27,6 mil. Por via do recenseamento automático. Em França, com 414 mil inscritos, ficou nos 99,3%.

Impedidos de votar por correspondência e com poucos locais, muitos são os portugueses que desistem face às distâncias a percorrer. O "voto por correspondência faz uma diferença - nas legislativas de 2019 a abstenção foi de 90%, com 160 mil votantes". Mas mais importante seria "trabalhar a ligação com a diáspora", conclui Carlos Jalali.

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