Alteração

A hora ainda muda este domingo. No futuro logo se vê

A hora ainda muda este domingo. No futuro logo se vê

Às 2 horas deste domingo, os relógios vão recuar uma hora, como é costume nesta altura do ano. Portugal regressa à hora de inverno e assim se vai manter até 29 de março de 2020, não sendo, contudo, certo que esta alternância se mantenha por muito mais tempo.

Em março último, o Parlamento Europeu disse sim ao fim da mudança de hora a partir de 2021, decisão que ainda aguarda aprovação por parte do Conselho da União Europeia (UE). Por enquanto, o impasse mantém-se.

Certa é, no entanto, a oposição de Portugal ao fim do atual regime bi-horário. Em outubro do ano passado, o primeiro-ministro António Costa referiu que "o bom critério é o critério da ciência", tendo por base um estudo elaborado por Rui Agostinho, diretor do Observatório Astronómico de Lisboa, que era contrário ao fim da mudança da hora.

Um ano volvido, a posição de Rui Agostinho mantém-se. A decisão da UE "é estritamente política", sustenta ao JN, e não "baseada em factos científicos". É certo que a Comissão Europeia promoveu um inquérito no Verão de 2018 - que registou 84% de votos favoráveis ao fim da mudança de hora - mas, argumenta o diretor do Observatório, além de apenas terem participado 4,6 milhões de europeus (num universo de 513 milhões), o facto de a grande maioria ter sido alemães enviesou os resultados.

impacto "nefasto"

Apesar de ainda faltar a aprovação do Conselho da UE, Rui Agostinho já dá a batalha como perdida. Para o astrónomo, o mal menor é Portugal adotar permanentemente a hora de inverno, que diz aproximar-se mais "da hora natural em relação ao sol"; ainda assim, acrescenta, em certas alturas do ano, os primeiros raios solares podem irromper às 4.30 horas da manhã. Já se a decisão for instituir a hora de verão, nos meses de inverno, "teremos o sol a nascer perto das 9 horas da manhã", o que "vai ter um impacto nefasto".

crianças vulneráveis

Caldas Afonso, diretor do Centro Materno Infantil do Norte (CMIN), que integra o Centro Hospitalar do Porto, também é contra o fim do regime bi-horário. O médico rejeita os argumentos dos defensores da mudança, dizendo que a adaptação de cada vez que a hora muda é "muito rápida" e feita "na procura de um normal posicionamento dia/noite".

Com a uniformização, defende, as crianças vão ser particularmente penalizadas: se hoje, no inverno, já "saem e voltam a casa de noite", com a alteração isso irá acentuar-se. Viver num país com sol "não tem preço", considera, pelo que não lhe parece positivo "irmos atrás" dos países do Centro e Norte da Europa.

A favor de regime único - Os principais argumentos são: ajuda a diminuir alterações de sono e a potenciar capacidades como a memória, além de promover a convergência entre países da UE e, com isso, consolidar o mercado único.

A favor do bi-horário - Dizem que a alternância periódica entre hora de inverno e de verão faz com que a população se mantenha adaptada ao padrão da luz do dia.

Europa vai votar - O fim da mudança da hora terá de ser aprovado em Conselho da União Europeia. E depois, até abril de 2020, os estados-membros têm de se articular quanto ao horário de verão mais favorável (verão ou inverno).

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