Legislativas

Programa do Chega reitera valores do Estado Novo

Enzo Santos

O presidente do Chega, André Ventura

Foto Lusa

Partido diz que, a 30 de Janeiro, concorre "orgulhosamente só".

"Deus, Pátria, Família e Trabalho". A doutrina do Estado Novo, proferida no último congresso do Chega, é agora registada no programa eleitoral que o partido vai levar às eleições de 30 de Janeiro. Além da recuperação de termos da ditadura e a repetição de medidas já conhecidas, o Chega propõe a criação de um "Ministério da Família", "quotas de imigrantes" e a criação de uma "reforma mínima garantida", propostas estas anunciadas ontem, em Loures, durante a apresentação do programa.

A proposta eleitoral do Chega adiciona o "trabalho" aos três valores base do regime de Salazar. O partido, que se assume como "a direita de direita", quer a "valorização da família, instituição primordial", "defender a pátria da humilhação histórica racial" e "travar o perigo da substituição demográfica dos portugueses".

Chega afasta-se do PSD

O Chega mantém bandeiras como a prisão perpétua, o combate à corrupção, e insiste na reforma dos sistemas político, judicial e educacional, que diz estarem dominados pela "extrema-esquerda".

Na apresentação do programa, e ainda no rescaldo do congresso do PSD, André Ventura apresenta o Chega como um partido antissistema: "este sim, de antissistema, não do antissistema laranja, que alguns querem fingir agora que são".

À boleia do PS, que usou o fantasma de Passos Coelho para criticar o discurso de Rui Rio, André Ventura diz que o Chega não vai participar "em nenhum Governo que volte a cortar pensões, como ocorreu entre 2011 e 2015".

O partido tem como maior objetivo alcançar um "Governo de Direita".