Presidenciais

Ana Gomes critica voto do BE no OE2021, Marisa Matias rejeita contradição

Ana Gomes critica voto do BE no OE2021, Marisa Matias rejeita contradição

As candidatas presidenciais Ana Gomes e Marisa Matias concordaram hoje ser preciso ouvir as explicações da ministra da Justiça no Parlamento sobre a polémica do procurador europeu, num debate com críticas da socialista às "contradições" da bloquista sobre OE2021.

No frente a frente televisivo na corrida às eleições presidenciais, que opôs esta noite uma antiga e uma atual eurodeputada, o tiro de partida foi dado com a polémica em relação à nomeação do procurador europeu José Guerra, um tema em relação ao qual as candidatas têm posições semelhantes, na noite em que o primeiro-ministro, António Costa, manifestou "total confiança política" na ministra da Justiça, Francisca Van Dunem,

Na perspetiva de Ana Gomes, "é o primeiro-ministro que sabe" e que "avalia como é que isto sobra ou não para o Governo, como afeta a imagem do país", mostrando-se contra "a banalização de pedidos de demissão de ministros".

Para a socialista este é um "caso grave", considerando que "antes de mais é preciso ouvir a ministra no Parlamento".

Explicações foi o que pediu também a bloquista Marisa Matias, que criticou uma "situação vergonhosa", em relação à qual considera que é preciso esperar pela audição da ministra da Justiça no Parlamento.

Passado o tema que tem marcado os últimos dias e entrando no debate presidencial propriamente dito, o voto contra do BE no Orçamento do Estado para 2021 foi usado por Ana Gomes para atacar Marisa Matias, dirigente do BE.

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"Não entendo que o Bloco tenha votado contra o Orçamento do Estado e também não entendo porque é que se fosse presidente, Marisa Matias não vetaria este Orçamento do Estado. Há uma contradição entre a Marisa dirigente do Bloco e a Marisa candidata à Presidência da República", atirou a socialista, uma acusação imediatamente negada pela bloquista.

A "objeção de fundo" de Ana Gomes, explicou, "é que o país não precisava de uma crise política a somar à crise da pandemia", questionando "onde é que ficavam os mais vulneráveis deste país" se Portugal tivesse "ficado à mercê de duodécimos".

Na resposta, Marisa Matias considerou incompreensível "não haver uma resposta à altura da crise" que Portugal está a viver, reiterando que as exigências do BE não eram incomportáveis, mas justas.

"Em relação ao Orçamento não há nenhuma contradição entre dizer que estas dimensões, a urgência que enfrentamos e as dificuldades, dizer que isto não é suficiente e ao mesmo tempo olhar e perceber que não sendo um Orçamento inconstitucional eu não o vetaria", retorquiu, considerando "perigoso acenar-se com uma crise putativa que tem muitas formas de não vir a ser crise".

Para a eurodeputada bloquista não é preciso "um presidente que mantenha os bloqueios que já vêm do Governo em relação à resposta à crise" e deixou uma promessa: "as pessoas que votarem em mim sabem que estão a votar numa proposta precisamente que pretende contrariar esses bloqueios de Marcelo e António Costa em relação à saúde, à banca e ao trabalho".

Para diferenciar as candidaturas, Ana Gomes apontou ainda contradições da bloquista em relação ao euro e também "grandes divergências" em relação à segurança e defesa, questões que "são demasiado importantes para poderem ser deixadas à direita".

Na réplica, Marisa Matias recusou-se a "inventar divergências artificiais com a Ana Gomes" nas questões europeias, assumindo-se "muito crítica em relação à arquitetura do euro" e afirmando que "o maior problema de defesa é a segurança e proteção de pessoas, dos refugiados".

Sobre a disputa do mesmo campo político, Marisa Matias considerou que a sua candidatura é "a que melhor representa lutas dos jovens" em áreas como o ambiente, direitos dos animais, feministas, antirracistas e de respeito", com Ana Gomes a referir que "a candidatura da Marisa se insere numa lógica do partido que ela representa", enquanto a sua "é independente", apesar de admitir ter havido conversas sobre a possibilidade de uma candidatura comum numa "primeiríssima fase".

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