Irpin

António Costa na Ucrânia: "É devastador, muito duro de ver"

António Costa na Ucrânia: "É devastador, muito duro de ver"

O primeiro-ministro, António Costa, está na Ucrânia "para concretizar apoios acordados". O líder do Executivo português chegou de comboio a Kiev e seguiu para Irpin, antes de ser recebido por Volodymyr Zelensky.

O primeiro-ministro António Costa chegou à Estação Central de Kiev, às 10.35 horas (8.35 horas em Portugal) num comboio que parou numa plataforma recuada, longe da circulação de passageiros, rodeado de um forte aparato de segurança, com a presença de militares do Exército Ucraniano.

À chegada, Costa, acompanhado pelo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, referiu, em declarações à imprensa portuguesa: "Estou a aqui a responder ao convite que me foi endereçado, para concretizar os apoios acordados de forma bilateral, para continuar a apoiar o povo ucraniano. Vamos agora visitar áreas afetadas pela guerra".

O primeiro-ministro seguiu de carro para Irpin, cidade a cerca de 20 minutos de Kiev, que durante semanas foi fortemente bombardeada pelo Exército Russo, entretanto resgatada pelos ucranianos.

Pouco depois das 11 horas (9 horas em Portugal continental), António Costa chegou a Irpin, a uma área residencial daquela cidade fortemente destruída, nesta que foi uma das zonas mais massacradas nos arredores de Kiev e que serviu de tampão à investida russa.

Foi recebido por vários elementos do exército ucraniano, por membros da defesa territorial, e pela chefe-presidente do Conselho de Irpin, Makeva Angela, que disse a Costa: "A cidade de Irpin pagou um preço muito alto, aqui morreram 37 elementos da defesa territorial e 370 civis. 70% da cidade foi completamente destruída". Makeva agradeceu ao primeiro-ministro "por vir ver tudo com os seus olhos e não acreditar na propaganda russa".

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Costa perguntou: "Qual a prioridade agora, a habitação ou as infraestruturas civis?". A que Makeva respondeu: "a nossa prioridade é o parque habitacional, mas também as escolas e jardins de infância. Queremos que, a 1 de setembro, as nossas crianças possam voltar à escola".

O primeiro-ministro quis ainda saber se os desalojados já puderam regressar à cidade. "Entre 25 a 30 mil pessoas já regressaram, cerca de cinco mil nunca deixaram a cidade", esclareceu a chefe-presidente do conselho local.

Numa área onde todos os prédios terão que ser derrubados, por razões de segurança, tendo em conta os danos estruturais, membros da defesa territorial mostram a Costa um local onde caíram bombas, tal como as marcas de estilhaços nas muitas viaturas destruídas.

O primeiro-ministro mostrou-se chocado com o grau de destruição da cidade. "É absolutamente devastador, é muito duro de ver. A brutalidade que aconteceu sobre as populações civis. É fundamental que a investigação prossiga e que estes crimes sejam punidos. A guerra também tem regras".

Sobre o apoio de Portugal à reconstrução, António Costa referiu que isso será discutido hoje, nos vários encontros políticos que terá ao longo do dia em Kiev. Mas garantiu: "Tudo faremos para apoiar a reconstrução da Ucrânia".

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