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Relação com o PS foi tema dominante no debate entre BE e Livre

Relação com o PS foi tema dominante no debate entre BE e Livre

O debate entre BE e Livre ficou marcado pelas discordâncias face à atitude a adotar perante o PS. A líder bloquista, Catarina Martins, considerou que Rui Tavares está a cair na "enorme armadilha" de exigir pouco a António Costa; já o cabeça-de-lista do partido da papoila por Lisboa lamenta não ver no BE vontade de fazer "convergências".

A coordenadora bloquista começou por reconhecer que nutre uma "enorme simpatia" pelo programa do Livre. No entanto, defendeu que o partido de Rui Tavares cai na "enorme armadilha" do PS ao limitar-se a propor "equacionar e estudar" certas medidas, como a exclusividade dos profissionais de saúde no SNS.

"Garanto que António Costa lhe diz logo que sim", ironizou Catarina Martins. "O que precisa é de ser implementado", contrapôs, vincando a necessidade de exigir ao PS uma maior "concretização de propostas". Até porque se, em 2015, BE e PCP apenas tivessem proposto "equacionar" o reforço de salários e pensões, "não tinha acontecido nada", frisou.

Em resposta, Rui Tavares frisou que o seu partido defende a exclusividade dos médicos no SNS, argumentando que Catarina Martins apenas apresentou "convergências com o Livre e divergências com o PS".

Lembrando que, em Oeiras, o seu partido e o BE concorreram coligados às últimas autárquicas e elegeram uma vereadora, Tavares insistiu na necessidade de se continuarem a fazer "cooperações que dão esperança às pessoas".

Nesse sentido, o dirigente do Livre criticou o voto contra do BE no Orçamento do Estado. "Acho que nunca ninguém entendeu" que o documento não tenha chegado, pelo menos, à fase da especialidade, referiu, já na fase final do frente-a-frente.

Salário mínimo, leis laborais e Europa também discutidos

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Tavares defendeu ainda que, caso BE e PCP continuem a não esclarecer se são "da divergência ou da convergência", os eleitores de ambos que desejem uma solução de Esquerda poderão ter "um grande dissabor". "Parece António Costa a falar", retorquiu Catarina Martins.

A coordenadora bloquista lembrou que "o BE quis, propôs, fez e fará um acordo para um Governo à Esquerda". No entanto, no seu entender, "o PS recusou tudo porque quis uma crise política".

Catarina confessou também ter ficado "um pouco espantada" ao constatar que o programa do Livre fala do reforço dos salários "mas não de legislação laboral". Argumentando que só a reversão das leis do tempo da 'troika' poderá reforçar o salário médio, lembrou que "até a UGT" e o líder dos sindicalistas do PS, Mário Mourão, concordam que é necessário agir nessa matéria.

Rui Tavares esclareceu que o Livre "sempre foi a favor da posição que mais reforça os direitos dos trabalhadores", recordando que o partido quer aumentar o salário mínimo para 1000 euros. Também desafiou o BE a subscrever um "pacto progressivo e ecológico" entre vários partidos de Esquerda e desconfiou da posição bloquista face à União Europeia (UE), organização que considera "essencial" para o futuro do país.

Catarina Martins, por seu turno, rejeitou participar em "campeonatos de europeísmo", aludindo às falhas da UE em matéria de migrações e alertando que os excessivos "formalismos" sobre a Europa podem levar a que se "perca o horizonte" sobre quais as prioridades do país.

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