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Apoiantes de Ventura hostilizam jornalistas em Braga

Apoiantes de Ventura hostilizam jornalistas em Braga

Indivíduos afetos à candidatura presidencial do Chega hostilizaram no domingo jornalistas e repórteres de imagem, num jantar comício em Braga, após ser noticiado que estavam ali reunidas cerca de 160 pessoas durante o confinamento geral.

Insultos vários, ameaças de violência e até contacto físico com operadores de câmara antecederam o momento em que foi, finalmente, permitida a entrada da comunicação social no repleto salão do restaurante, cerca de duas horas depois do previsto. "Pouco importa, pouco importa se eles falam bem ou mal. Queremos o André Ventura presidente de Portugal", entoaram os apoiantes de Ventura, com gestos típicos de claque de futebol, enquanto os repórteres e operadores de câmara instalavam os seus tripés e gravadores.

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Durante a sua breve intervenção, a anteceder o líder do partido da extrema-direita parlamentar, o diretor de campanha e mandatário nacional, além de membro da direção nacional do Chega, Rui Paulo Sousa, deixou um recado, que motivou ainda mais os gestos ameaçadores dos apoiantes: "Os nossos adversários estão lá fora, mas alguns estão cá dentro...".

"É com orgulho que eu digo chega, é com respeito que me vês. E bate forte cá no meu peito, e é por ti que eu canto André. Ale, ale, Ventura, Ale. Ale, ale, Ventura, Ale. Ale, ale, Ventura, Ale", era outra das letras reproduzidas em papel e colocadas em todas as mesas para que os cânticos saíssem mais afinados.

A distrital de Braga do Chega inclui concelhias como Guimarães, Vila Nova de Famalicão, Barcelos, entre outras. A "plateia" do comício era formada quase na sua totalidade por homens. "Todos os eventos que estamos a realizar são feitos através das distritais, que contactam a Direção-Geral de Saúde [DGS], com os dados e o cumprimento de todas as regras de distanciamento, das mesas e dos lugares nas mesas", garantira antes Rui Paulo Sousa.

Com cerca de 160 pessoas distribuídas em mesas redondas para um jantar de apoio em Braga, esta foi a maior iniciativa num espaço fechado desde o início do período de campanha oficial (10 de janeiro), uma vez que todos os comícios anteriores tiveram lugar em espaços com plateias devidamente preparadas para guardar a distância sanitária ou refeições coletivas apenas com algumas dezenas de participantes.

Apesar do "dever geral de recolhimento domiciliário" e num dia em que Portugal perdeu mais 152 pessoas para a covid-19, Rui Paulo Sousa argumentou que o evento é "um comício político que, pela lei, é permitido".

O concorrente ao Palácio de Belém, André Ventura, nas suas ações de campanha eleitoral, tem criticado fortemente o executivo liderado por António Costa por aquilo que considera ser incompetência e falta de planeamento no combate às novas vagas da crise pandémica.

Segundo a RTP, a Autoridade Nacional de Proteção Civil tinha dado um parecer negativo ao evento que foi depois confirmado pelo delegado a Administração Regional de Saúde do Norte, mas o Agrupamento de Centros de Saúde de Braga só já durante o dia terá tido conhecimento do documento, tal como a Guarda Nacional Republicana.

Domingo, o espaço escolhido pelo Chega foi um grande estabelecimento de restauração, especializado em eventos como casamentos e batizados, entre outros, no lugar de Tebosa, arredores de Braga.

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