
Revelados 1,3 milhões ficheiros relativos a 176 mil companhias sediadas neste paraíso fiscal
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Novas revelações feitas sobre praças financeiras 'offshore', desta vez sobre as Bahamas, em particular sobre administradores de empresas aqui sediadas, indicam a presença de 28 portugueses, uma ex-vice-presidente da Comissão Europeia e uma ministra britânica.
A informação, disponibilizada em Portugal nos sítios do Expresso e da TVI na internet, respeita a "1,3 milhões de ficheiros relativos a 176 mil companhias e incluem os nomes de 25 mil administradores e funcionários nomeados por essas (sociedades) offshores ao longo dos anos", indicou o semanário.
5402023
Os dados foram recebidos pelo jornal alemão Suddeutsche Zeitung e o Consórcio Internacional dos Jornalistas de Investigação, baseado em Washington, que os estão a divulgar na internet.
Ou seja, neste caso, dos Documentos das Bahamas, e ao contrário do ocorrido com os designados Documentos do Panamá, "o acervo não inclui e-mails ou contratos relacionados com essas companhias ou quem são os seus (destas empresas) beneficiários últimos", ressalva o artigo, Micael Pereira, que avançou ainda que "os 29 portugueses identificados pelo Expresso e pela TVI surgem como administradores em 38 empresas".
Sem políticos no conjunto, os nomes mais conhecidos serão os de Micael Gulbenkian, sobrinho-neto do fundador da Fundação Calouste Gulbenkian, Pedro Morais Leitão, ex-presidente da ONI e atual administrador da Oi, e dois dirigentes do Banif, Joaquim Marques dos Santos, presidente entre 2010 e 2012, e Carlos Duarte de Almeida, que foi o seu presidente-executivo neste período.
Entre os nomes revelados estão também o da ex-vice-presidente da Comissão Europeia e ex-comissária para a Concorrência (2004-2010) e Agenda digital (2010-2014), a holandesa Neelie Kroes, que administrou uma sociedade offshore entre 2000 e 2009, sem o comunicar em Bruxelas.
Kroes agora é uma consultora paga pelo Bank of America e pela Uber.
A ministra do Interior britânica, Amber Rudd, por seu lado, foi identificada, pelo diário The Guardian, como tendo sido diretora de duas empresas, baseadas nas Bahamas, durante a sua carreira no mundo dos negócios, antes de enveredar pela política, Advanced Asset Allocation Fund and Advanced Asset Allocation Management, entre 1998 e 2000.
O Reino Unido tem sido um dos muitos países que anunciaram querer reduzir o uso destes designados paraísos fiscais, pelo que estas revelações que indicam que um dos principais ministros beneficiou de um regime que não taxa rendimentos individuais ou coletivos podem levantar questões desconfortáveis para o governo britânico.
A organização não-governamental Tax Justice Network (Rede para a Justiça Fiscal) comentou, a propósito, que a libertação desta informação revela que as Bahamas são "uma ameaça global" para o sistema fiscal internacional.
"Para muitos de nós que estudam os paraísos fiscais, era apenas uma questão de tempo até que um grande escândalo atingisse as Bahamas", disse um dos membros do grupo, Moran Harari.
