"Golpe de Estado" e "sinal de esperança": A reação dos candidatos presidenciais à ação dos EUA

Ruas de Caracas com forte presença militar e policial
Foto: Federico Parra / AFP
Os candidatos presidenciais reagiram à ação dos Estados Unidos na Venezuela, este sábado de madrugada, que levou à captura do presidente Nicolás Maduro, oscilando entre a condenação de "um golpe de Estado" e ser "um sinal de esperança", mas unidos na preocupação com a comunidade portuguesa emigrante naquele país.
Marques Mendes
Luís Marques Mendes diz ser cedo para "catalogar intervenção dos EUA" na Venezuela e pede prioridade à comunidade lusa residente naquele país.
O candidato presidencial esteve, este sábado de manhã, no Mercado de Benfica, em Lisboa, de onde segue para Águeda, no distrito de Aveiro, onde fará uma ação de contacto com a população, e ao final da tarde estará em Viseu, para uma sessão de esclarecimento.
António José Seguro
"Estou a acompanhar desde muito cedo, com muita preocupação, o que está a acontecer na Venezuela. Nós temos cerca de meio milhão de portugueses a viver na Venezuela, e estou preocupado com essa situação", disse António José Seguro durante uma ação de campanha no Mercado Municipal de Castelo Branco.
Numa atualização da sua posição feita após obter mais informações, já na Praça do Município da Covilhã (também distrito de Castelo Branco), cerca do meio dia, o candidato condenou a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, considerando-a uma "violação clara do Direito Internacional e da Carta das Nações Unidas".
"Na posse de mais informações, quero dizer com muita clareza que o que se passou hoje na Venezuela é uma violação clara do Direito Internacional e da Carta das Nações Unidas", defendeu.
Gouveia e Melo
O candidato presidencial Gouveia e Melo manifestou-se confiante que a diplomacia portuguesa fará bom trabalho na Venezuela e disse existirem indícios de que não haverá revolta dos apoiantes de Maduro em reação à intervenção militar norte-americana.
"Acredito que nestes momentos os portugueses são bons. Somos muito bons nos momentos em que temos de improvisar e resolver problemas complexos. E tenho a certeza que os nossos consulados e as nossas embaixadas farão um bom trabalho, porque é nisto que somos bons", declarou o ex-chefe do Estado-Maior da Armada no final de uma visita aos Bombeiros Voluntários de Colares, em Sintra.
Adiantou ainda ter falado esta manhã com uma representante de uma associação portuguesa, na Venezuela, que lhe adiantou que a situação "está calma, tirando uns poucos pontos de intervenção".
André Ventura
"O derrube do regime de Nicolás Maduro é um bom sinal para a liberdade em toda a região", lê-se numa publicação na rede social X, divulgada na conta oficial de André Ventura, candidato nas eleições presidenciais de 18 de janeiro.
O também líder do Chega defendeu ainda que a intervenção militar dos EUA simboliza "um sinal de esperança para o povo venezuelano e para as comunidades portuguesas ali residentes, que agora poderão viver em democracia e sem o jugo de um ditador narcotraficante".
Catarina Martins
"Portugal não precisa de ficar à espera da Europa para condenar uma operação que viola o Direito Internacional e que aumenta o risco de guerra global", defendeu Catarina Martins, candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda.
Em declarações aos jornalistas à margem de uma visita ao mercado de Olhão, Catarina Martins começou por expressar solidariedade com a população da Venezuela e preocupação, em particular, com a comunidade portuguesa, defendendo a necessidade de assegurar "que todos os meios estão a ser usados" para a sua salvaguarda.
"Assim como nós não aceitamos que Vladimir Putin diga que vai fazer uma operação especial porque quer ficar com riquezas da Ucrânia, também não podemos aceitar que Donald Trump diga que quer ficar com o petróleo da Venezuela e, por isso, entra pelo país adentro. Isto é semear a guerra global", sublinhou.
António Filipe
"Eu quero condenar com toda a veemência esta brutal violação do direito internacional, que é o ataque à Venezuela, à soberania e ao povo da Venezuela e o sequestro do seu presidente e da sua esposa", afirmou António Filipe, à entrada de um almoço com apoiantes na Amadora, distrito de Lisboa.
O candidato presidencial apoiado pelo PCP e pelo PEV reagia assim à intervenção militar realizada pelos Estados Unidos na Venezuela.
"Creio que há uma obrigação de quem tenha um mínimo de respeito pelo Direito Internacional e pela soberania dos povos de condenar sem quaisquer equívocos esta brutal violação do direito internacional e exigir que a legalidade internacional seja reposta", realçou António Filipe.
Jorge Pinto
Em declarações aos jornalistas à margem de uma visita ao Mercado da Graça, em Ponta Delgada, Açores, Jorge Pinto defendeu que, "independentemente do que se possa achar sobre Maduro e o seu regime", o "que está em causa é um ataque ilegal ao Direito Internacional que deve preocupar a todos".
"Espero bem que do lado português, do lado europeu, da NATO, não haja qualquer apoio a este ataque. Hoje é a Venezuela, quem será amanhã? O que acontece se amanhã quem for atacado for, por exemplo, a Gronelândia? O que dirão os outros países? Acredito na defesa do Direito Internacional em qualquer parte do planeta. Não acredito em bons ou maus imperialismos, em boas ou más agressões", disse o candidato à Presidência da República apoiado pelo Livre.
André Pestana
André Pestana instou Marcelo Rebelo de Sousa, o Governo e todos os outros candidatos a condenarem "inequivocamente" o "ataque" dos Estados Unidos à Venezuela, considerando tratar-se de um golpe de Estado.

