Atraso do INEM entra na campanha com candidatos a apontarem críticas ao Governo

Ventura ao quarto dia de campanha numa ação em Samora Correia, Santarém
Foto: Tiago Petinga/Lusa
A morte de um homem no Seixal, que esperou três horas por socorro desde o primeiro contacto para o INEM, mereceu comentário dos candidatos presidenciais esta quarta-feira, com a maioria a apontarem críticas ao primeiro-ministro e ao Ministério da Saúde.
"INEM não pode falhar"
"A única rede de emergência médica não pode falhar porque essas falhas e esses atrasos têm consequências, neste caso, uma morte", afirmou o candidato presidencial João Cotrim Figueiredo, apoiado pela Iniciativa Liberal.
Depois de uma visita a Pedrógão Grande, nomeadamente ao Memorial às Vítimas Mortais dos incêndios de 2017, o eurodeputado lembrou que o INEM é um serviço "absolutamente essencial" do Estado que mais ninguém pode prestar.
O candidato entende que as responsabilidades que são do Estado "não podem ficar ao sabor de mais ou menos diligências de um funcionário, mais ou menos competências de um técnico e mais ou menos vontades de resolver de um político. Têm que ser preocupações prioritárias permanentes", considerou.
"Responsabilidade é do Governo e da ministra da Saúde"
"A responsabilidade desta morte é do Governo e é da senhora ministra da Saúde", disse o candidato e líder do Chega, que falava aos jornalistas antes de uma arruada em Samora Correia (concelho de Benavente).
André Ventura recordou que este Governo tinha um programa de emergência para executar, que previa alocação de meios e a resolução de uma boa parte dos problemas na área da saúde até ao fim de 2024 (numa legislatura que terminou precocemente em junho de 2025). "Estamos em 2026 e nascem bebés em ambulâncias, em quartéis de bombeiros e há pessoas que morrem porque não têm atendimento do INEM", vincou.
"Tudo deve ser apurado"
"Eu acho que tudo deve ser apurado nesse caso. Ou seja, eu acho que quando acontece uma desgraça relacionada, de facto, com o funcionamento dos serviços de saúde, ou, neste caso, também do INEM, têm que ser investigadas até ao fundo as causas do que é que aconteceu efetivamente, o que é que fez com que esta desgraça tivesse acontecido", afirmou António Filipe.
O candidato presidencial apoiado pelo PCP e pelo PEV considerou que ainda que "alguém tem que assumir a responsabilidade e essa responsabilidade é de quem chefia o Governo, quem comanda essas ações", referindo-se ao primeiro-ministro Luís Montenegro.
"Ou seja, nas relações entre a Presidência da República e o Governo é o primeiro-ministro que responde pela política governamental. A escolha dos membros do governo é uma responsabilidade dele. E é o primeiro-ministro que tem que assumir essa responsabilidade", salientou António Filipe, à margem de uma iniciativa de campanha em Cuba, distrito de Beja.
"Mais um exemplo" de incompetência
"O que este governo está a fazer é que corta primeiro e pensa depois. As alterações no INEM são mais um exemplo disso: primeiro corta e depois vê os resultados. Isto não se pode fazer em nenhuma área, mas se há área em que é mesmo criminoso fazê-lo, é na saúde", afirmou Catarina Martins.
Ao longo da campanha, a candidata apoiada pelo BE tem deixado duras críticas à gestão do Governo na área da saúde e esta quarta-feira, durante uma visita à Boutique da Cultura, em Lisboa, voltou a sublinhar o tema. Sem comentar o caso em concreto, Catarina Martins insistiu que o Governo "não tem a mínima estratégia" e considerou também que o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, "não tem ajudado": "Sendo certo que o presidente não legisla nem governa, não pode deixar um Governo à rédea solta a cortar primeiro e a pensar depois na saúde".
Montenegro e Ana Paula Martins deviam ir a Belém
"É essencial assegurar que ninguém no nosso país, onde quer que seja no território, tem de esperar mais de três horas pelo serviço de emergência. Este não é o Portugal que eu quero e comigo na Presidência da República outras medidas já teriam sido tomadas e o primeiro-ministro e a ministra da Saúde teriam sido chamados várias vezes a Belém para explicarem como é que é possível isto acontecer no nosso país", disse o candidato presidencial Jorge Pinto antes de uma reunião com a Ordem dos Advogados, em Lisboa.
"Olhando para a inflação, para os valores da inflação, o investimento na saúde em Portugal neste último Orçamento de Estado faz com que esse investimento seja reduzido quando comparado com o ano anterior. Isto não é sustentável no momento em que o SNS já passa por tantas dificuldades"; explicou, pedindo um reforço do investimento.
Mendes lamenta e não comenta
O candidato presidencial Luís Marques Mendes prometeu ajudar este ou outro governo a "tomar decisões para melhorar" a Saúde, e sugeriu que as regras e estímulos das Parcerias Público-Privadas neste setor se possam aplicar aos hospitais públicos.
No final de uma visita ao mercado do Livramento, em Setúbal, Marques Mendes foi questionado sobre queixas que tem ouvido sobre a saúde e sobre a morte de um homem, na terça-feira no Seixal, depois de quase três horas à espera de socorro do INEM. "A primeira coisa que devo dizer é que lamento profundamente o que aconteceu e a morte dessa pessoa. Essa é que é a péssima notícia. Não conheço as circunstâncias do caso, portanto, não posso pronunciar-me", disse.
Sobre a situação da saúde, considerou que "as pessoas têm razão e há que fazer esforços e ajudar a que sejam tomadas as decisões para melhorar as outras".
