Bolieiro pede "sentido de responsabilidade" ao PS e recusa "chantagem" do Chega

O social-democrata José Manuel Bolieiro, que venceu nos Açores sem maioria absoluta, garantiu esta quarta-feira que o seu projeto governativo é "exclusivamente" da coligação PSD/CDS/PPM. Pediu sentido de responsabilidade ao PS e recusa "chantagem" do Chega. Se o programa for chumbado e houver eleições, é recandidato.
Questionado numa entrevista à RTP3 sobre se descarta um acordo escrito no Parlamento ou a participação de um outro partido no Governo Regional, Bolieiro começou por dizer que é "conhecido como um conciliador" e que negoceia "com o sentido da responsabilidade" e em nome da "estabilidade".
"No entanto, o meu projeto governativo é exclusivamente em relação à coligação que lidero, PSD, CDS e PPM, que teve a maioria relativa", respondeu, notando que "as democracias ocidentais têm de voltar a conviver com governos de maioria relativa" e com "sentido de responsabilidade daqueles que, na representação plural parlamentar, asseguram a normalidade da democracia e das legislaturas até ao fim".
"Não se pode contrariar sempre a vontade do povo que, no meu entendimento, é de estabilidade. E, neste caso, de vontade da continuidade da governação que estava a ser desenvolvida", prosseguiu o social-democrata.
Quanto à votação do programa do Governo, foi questionado sobre se fez contactos para ter o apoio ou a abstenção do PS ou do Chega e respondeu negativamente. "Não fiz contactos com ninguém e, por outro lado, com exceção dos partidos da coligação, tenho que assumir a vontade de garantir" entre as três forças que a integram "uma solução governativa".
Questionado sobre se vai apenas esperar pelas tomadas de posição do PS e do Chega, sem outras diligências, o vencedor das eleições regionais disse que "o diálogo e a concertação serão feitos num quadro" da discussão dos planos e orçamentos em sede parlamentar.
Bolieiro recordou que o programa de Governo foi sufragado e tem uma maioria relativa, dirigindo-se depois aos adversários. "O apelo que eu faço é ao sentido de responsabilidade dos partidos", sublinhou.
"O PS tem que ter, e faço esse apelo, um sentido de responsabilidade pela estabilidade" das legislaturas, referiu, lembrando que "foi partido de Governo 24 anos, foi agora derrotado e sabe que o seu programa de Governo não foi maioritariamente sufragado". E, "aliás, já formou um Governo com maioria relativa e contou com o PSD e o CDS para viabilizar a governação para o cumprimento do mandato", disse, defendendo que "não há reputação democrática para quem fizer a política da terra queimada".
Ainda sobre os socialistas, que quinta-feira têm uma reunião, adiantou então a resposta que gostaria de ouvir: "que o PS, que é um partido do arco governativo, assumisse responsabilidade democrática e garantisse o seu compromisso com a estabilidade porque é esse o interesse dos Açores". Mas não espera "que vote a favor".
"O que menos precisamos é de uma crise política", afirmou ainda, lembrando por exemplo que está em causa a execução de fundos do PRR.
Em segundo lugar, afirmou que o Chega "tem também uma nova responsabilidade porque cresceu e tem que ser um elemento da solução e não do problema. E não pode - fui claro também na campanha eleitoral - fazer chantagem porque não admito esta solução de chantagens".
Porém, promete "conversar para encontrar soluções de estabilidade". Agora, recusa "abdicar" da "leitura" que transmitiu "de forma cristalina na noite" eleitoral e "o que se espera é uma solução não socialista nos Açores".
Negando conversas informais com o Chega, desmentiu o líder deste partido na região.
Sublinhando que a coligação ganhou com 42% e venceu em seis das nove ilhas, garante ter condições para prosseguir o seu projeto que foi interrompido.
Questionado sobre se haverá eleições antecipadas dentro de seis meses se o seu programa não for aprovado no parlamento regional, Bolieiro respondeu: "pois, se esta for a opção, eu colocar-me-ei sempre de acordo com a vontade do povo. Naturalmente que serei recandidato e estou convencido de que esta irresponsabilidade será devidamente punida", pelos "prejuízos" para a ecomomia e a sociedade na região.
Além isso, defendeu ainda que "não devemos condicionar o interesse maior dos Açores a táticas, sejam nacionais ou regionais".
Na terça-feira, tinha afirmado que a coligação, vencedora das legislativas açorianas de domingo apenas com maioria relativa, tem "a responsabilidade de liderar os destinos" do arquipélago por quatro anos e comprometeu-se "a manter um diálogo aberto e conciliador".

