
A campanha terá lugar em cerca de 600 farmácias de todo o país
Foto: Arquivo
Arranca esta segunda-feira, em 600 farmácias, a campanha "Dê Troco a Quem Precisa", que ajuda associação Dignitude a pagar remédios de famílias pobres.
A história de Teresa Nascimento, a residir em Olhão, espelha o propósito e a importância da campanha "Dê Troco a Quem Precisa", que alimenta o programa abem, da associação Dignitude. A iniciativa arranca hoje e vai estar a decorrer até próximo dia 26 em cerca de 600 farmácias de todo o país.
Teresa é cuidadora do filho Rodrigo, um "menino" de 17 anos que sofre de uma doença rara (síndrome de Dravet) e precisa de medicação diária. O desgaste fê-la entrar em "privação de sono e depressão", levando-a a necessitar, igualmente, de remédios. Quando, há cinco anos, se tornou beneficiária do programa abem, vivia de "apoios da Segurança Social". "Houve alturas em que tive de decidir entre comprar medicação para mim e comer ou dar comida ao meu filho e comprar a medicação para ele". Escolheu sempre a segunda opção, porque o filho "está em primeiro lugar".

Teresa soube da campanha numa farmácia. Só com esta ajuda consegue comprar a sua medicação e a do filho
Esta cuidadora soube do programa numa farmácia. As funcionárias estranharam ela não levantar a sua medicação durante uns meses e ficaram chocadas quando lhes respondeu: "Não tenho dinheiro, vou só levar a do Rodrigo". "Já não sabia o que era dormir, tinha dores de cabeça, pouca paciência", mas se levantasse toda a medicação seriam "60 a 70 euros", dinheiro que não tinha.
É de pessoas como Teresa - ou de outras que até trabalham, mas não conseguem comprar os remédios prescritos - que "estamos a falar", diz Maria João Toscano, diretora executiva da Dignitude, explicando que o programa apoia famílias com rendimentos per capita a rondar os "350, 360 euros". São "os mais pobres dos pobres, que todos os dias têm de fazer contas".
E são muitos. Desde 2016, o programa apoia 43 327 pessoas (12% crianças, 64% adultos e 24% idosos) e já foram dispensadas mais de 3,3 milhões de embalagens de medicamentos.
Mais parceiros
O elevado número de beneficiários é sinal de que "a vida dos portugueses não está a melhorar", continua Maria João. Aliás, segundo o Índice de Saúde Sustentável desenvolvido pela Nova IMS - Information Management School, um em cada dez portugueses não consegue comprar os medicamentos prescritos porque não tem dinheiro.
O número também resulta do alargamento do programa. Atualmente o abem conta com 201 entidades parceiras, instaladas em 20 distritos. Desde maio, altura em que decorreu a última campanha, entraram mais oito entidades parceiras: as câmaras de Vila Real, Sever do Vouga, Cascais, Moimenta da Beira, Celorico de Basto e Vale de Cambra, o Centro Paroquial de Cachopo (Tavira) e a Associação Corações com Coroa (Lisboa).
Dar "alguns cêntimos" do troco da farmácia nesta campanha, ou qualquer donativo, por pequeno que seja, "faz a diferença na vida das pessoas que vamos apoiar", assegura a diretora executiva da Dignitude. O "dinheiro vai para o fundo e 100% é para cocomparticipar medicamentos", pois há uma "separação completa" entre estes fundos e os custos de funcionamento da associação, explicou Maria João Toscano.
Outras formas de ajudar
A 14.ª edição da campanha "Dê Troco a Quem Precisa" começa hoje e vai estar a decorrer até ao próximo dia 26 em cerca de 600 farmácias. As pessoas são desafiadas a doar o troco das suas compras para o Programa abem: Rede Solidária do Medicamento, através do qual a Dignitude ajuda famílias pobres a acederem a medicamentos. Também é possível apoiar fazendo um donativo por MB WAY (932 440 068) ou transferência bancária (PT50 0036 0000 9910 5914 8992 7).
